Solidão

Sou uma pessoa solitária por natureza, não tem a ver com o facto de ser filha única ou de ter vivido anos em África, tem a ver com personalidade acho eu.
Sempre fui assim desde dos tempos da escola, gostava de fazer os trabalhos de grupo sozinha, de me sentar no meu canto sem ninguém a chatear a cabeça… e depois de crescer nunca tive problemas em ir sozinha ao cinema nem mesmo almoçar ou beber um copo, sem que para isso me tivesse de proteger atrás de um livro. Gosto da minha companhia, de estar num sitio que aprecie a falar com o meu eu interior e a ouvir muitas vezes aquilo que ele me tem a dizer.
Não quer com isso dizer que eu seja anti social ou algo que se pareça… não antes pelo contrário adoro estar com os meus amigos, rir com eles, dizer/fazer parvoíces porque também faz falta e porque não somos ilhas e penso que tal como tudo, o peso e a medida funciona também aqui.
A verdade é que não entendo a chamada doença do século talvez por isso mesmo, a solidão é causa de morte em Portugal de uma forma alarmante, mas eu não a consigo entender.
Eu uma solitária assumida não consigo entender a forma de estar hoje em dia, vivemos num prédio durante anos e não conhecemos os nossos vizinhos, trabalhamos numa empresa uma vida e não conhecemos os nossos parceiros laborais… e depois queixamo-nos da solidão.
Não entendo a família não ter tempo para estar com os seus mais velhos nem que seja uma hora por semana, as pessoas serem capazes de estar em casa e jantarem sozinhos…. E eu sou uma solitária assumida.
Não entendo as pessoas preferirem falar atrás de um ecrã ou pelo telefone e não pessoalmente… a falta de tempo então é uma desculpa que me dá vontade de gritar…tempo conseguimos ter sempre que queremos e se conseguimos estar no chat horas seguidas ou agarrado ao telefone conseguíamos 5 minutos para estar com quem supostamente gostamos.
Com quem gostamos mesmo, não com quem é suposto estar… com quem amamos de coração, quem nos entende, com quem 5 minutos sabem como se fosse 5 horas… porque nos sentimos amadas, aconchegadas… queridas.
E ter pessoas assim na nossa vida, faz com que a solidão não tenha lugar……. não encaixe….
Porque eu por mim falo, solitária assumida… adoradora da horas da noite, onde não só nos sentimos como se o mundo parasse mas também sentimos o mesmo mais livre mais fresco… nas solitárias horas da noite em que falo comigo mesma e me ouço penso em quem esta do outro lado, tão longe e tão perto.
Pessoas que estão lá, irmãos de alma que sentem até quando nos sentimos tristes e é nessas horas de quietude que penso muitas vezes, coitados daqueles que rodeados de muita gente, estão sozinhos porque sim essa é que é a verdadeira solidão, estar rodeado de gente e estar sem ninguém…

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Posted on October 13, 2010, in Uncategorized. Bookmark the permalink. 5 Comments.

  1. Verdade, babe, Esses são os verdadeiros solitários.
    A lingua inglesa tem uma palavra que descreve o que tu és(e eu também sou): “solitude” e que é completamente diferente de “loneliness”. Solitude descreve um estado de espirito, uma forma de vida, uma escolha consciente sempre associado a bem estar, É um gostar de se estar consigo mesmo, de se ser independente, de ser livre.De plenitude e equilibrio. Completamente diferente de “loneliness”(solidão). Atrevo-me quase a dizer que é o seu oposto.
    A solidão de que a maior pessoas se queixa tem a ver com a necessidade constante que têm de preencher o vazio que existe dentro delas, com os outros. E quando se é só receptáculo, os sentimentos mudam. Começam as cobranças, as frustações, os amuos.
    Qualquer relacionamento humano é uma troca constante de dar e receber. Por isso, é necessário dar. E só podemos dar, aquilo que temos. Se não tivermos, passamos a exigir, a reclamar…má onda,mau caminho.
    Por isso, digo que é importante que cada um de nós, alimente, enriqueça o seu interior. Sentir-nos-emos bem connosco e certamente com os outros. E a solidão não terá lugar no nosso coração 🙂
    Depois, tu falas de outra coisa que é grave: o abandono.O abandono dos nossos velhos…custa-me tanto!
    Mas isso daria para mais um longo comentário e agora não me apetece…loool
    Beijos muitos, meu “bichinho-do-mato” 😉

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  2. Os teus comentários são sempre maravilhosos irmã.
    E sabes que no caso do abandono me custa mais ainda por causa do meu avó que esta no norte.
    Beijos muitos minha irmã de alma

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  3. A solidão só se sabe quem a sente. Como eu, sempre me senti sozinha…

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  4. A solidão pode acontecer por duas razões.
    Por sermos por alguma razão postos de parte ou porque nos sentimos bem apenas connosco próprios.
    Eu por mim sinto-me muito bem comigo.
    E uso muito o livro tambem para de alguma maneira me isolar.
    E trancrevo algo que escrevi em 2006
    Muitas vezes o nosso estar é como se estivéssemos isolados e encerrados numa ilha

    Vemos o sol, vemos o ar, respiramos e sentimos mas estamos isolados, completamente isolados.

    Mas estamos isolados porque queremos.

    Porque as ilhas podem ter barcos e mais do que isso podem ter pontes.

    Os barcos são ligações eventuais que temos o contacto esporádico o olá estás bom o ir e voltar mas um estar sempre cientes do nosso isolamento.

    Existem barcos grandes, existem barcos pequenos, barcos em que se anda porque não há mais nada onde andar e barcos onde se navega com prazer mas são sempre efémeros pois vão e vêem pois embora possam ser amarrados com um pequeno gesto se soltam e vogam para onde a maré ou os ventos os levam.

    Também existem as pontes

    As pontes podem ser muitas também

    Existem as pontes ligeiras e frágeis em que até temos medo de atravessar mas que nos ligam a uma margem, estas pontes por vezes são levadas por intempéries ou porque são frágeis demais ou porque não teem a manutenção que deveriam ter tido ao longo do tempo.

    Existem as pontes clássicas também tipo ponte romana que resiste a tudo e a todos e também que existem desde tempos imemoriais pontes que nem o tempo nem as tempestades apagam, podem estar maltratadas mas resistem sempre.

    E falta um tipo de pontes, as que nós habitantes da ilha desejamos construir, queremos que sejam sólidas e duradouras, mas nem sempre o são, muitas experiências fazemos com imensos materiais mas umas são frágeis demais, outras pesadas demais e afundam-se outras mal planeadas e não se sustentam mas ao longo do tempo começamos a aprender, a aprender como fazer uma ponte bebendo de uma sabedoria antiga vendo como as velhas pontes eram feitas e construindo lentamente por cima dos destroços dos fracassos anteriores, não querendo fazer duas ou três pontes ao mesmo tempo e concentrando a energia e o saber numa única ponte.

    E assim sim a ilha não deixa de ser ilha mas deixa de estar isolada e permite um sair e um entrar sempre que se deseje.

    Beijos para ti

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  5. Ola minha luz,
    Fiquei comovida pelo texto tens toda a razão.
    Beijos muitos

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