O doce sabor do frio

As vantagens de ter saído do meu antigo trabalho, para além de todas aquelas, já várias vezes foram mencionadas neste meu pequeno espaço, é o facto de eu estar a 10 minutos de casa, longe de tudo o que é fila de transito… perto do que nós neste pais temos de melhor… o mar.
Já a algum tempo que estava para fazer isto, sair de casa com tempo… deixar o carro estacionado junto ao centro… ir devagar a pé até junto do mar respirar o seu cheiro frio e doce e ficar assim pela manha isolada das perturbações do dia-a-dia.
E como dizem por ai as saquetas de açúcar do Nicola, hoje é o dia… hoje foi o dia…
Levantei-me cedo pela manha… dormi um sono pesado… retemperador… pelo que acordei com a chamada “pica toda”, como a minha mãe anda meio adoentada e se eu andar a cirandar pela casa os meus patudos não sossegam, despachei-me rápido, engoli um copo de leite sai… Cedo de mais para entrar ao trabalho.
Pensei então para com os meus botões, vou até ao pé do mar… fazer o que já me anda a dar vontade algum tempo para cá.
Parei então o carro junto ao meu local de trabalho, certifiquei-me que deixava já a loja pronta para abrir… e levei apenas comigo as chaves da porta… embrulhei-me o melhor que podia no meu casaco e sai para o frio cortante da manha…
O frio não esta para brincar… esta duro… doce… fino… cortante como se de uma faca se trata-se… por isso demorei uns belos 15 minutos até me encontrar parada em frente a esse poço magnifico de vida…e ao contrario do que esperado, estava sereno… com a sua superfície espelhada e quieta… apenas se via as pequenas ondulações criadas pelo ligeiro vento que sente pela manha…
Que estava magnifica… mesmo como eu gosto… dura de gelo, brilhante de sol… dava para sentir o frio entranhar-se em cada poro do meu corpo… deixando-o arrepiado… gelado… as mãos ficaram insensíveis por causa do gelo que se fazia sentir… mas os pulmões alegraram-se com o puro ar que os inundaram a cada respiração mais intensa minha.
Fiquei até ser humanamente possível discutir com o tempo… implacável carrasco que não passa quando queremos e corre quando não o desejamos…Sai serena… tranquila… sentindo em mim a tranquilidade que se adquire de pequenos prazeres que proporcionamos a nós mesmos… e completamente gelada…
Vim devagar de volta para o meu mundo real… que me espera pacientemente sempre que decido por um estalar de dedos, fugir ao seu vigilante controlo…
Recebi-o e fui recebida de braços abertos… acolhi-o de alma retemperada…


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Posted on January 21, 2011, in Uncategorized. Bookmark the permalink. 2 Comments.

  1. Olá Utena, digamos que essas caminhadas são revigorantes!Eu também adoro caminhar ao ar livre, ver o mar…faz milagres!
    Beijinhos,
    Sofia

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  2. Olá Sofia,
    Mais que revigorantes para mim dão equilibrio e estabilizam…
    Beijinhos
    🙂

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