Perfeição

Sempre me disseram que o perfeito é inimigo do bom…
Aliás sempre desconfiei das coisas perfeitas… das pessoas perfeitas…revejo-me apenas em momentos perfeitos, que raramente acontecem e por isso têm a capacidade de perdurar.
Se eu ouvir algo como “o fulano fez o meu dia ficar perfeito… ou o meu marido é perfeito” fico com os cabelos da nuca eriçados e o pé atrás instintivamente.
Não existem perfeições, o ser humano é incapaz de tal feito, e sinceramente quanto mais perfeito me parece alguém mais desconfiada fico.
A natureza tem a capacidade de criar momentos perfeitos mas mesmo ela… na sua magnitude pura é incapaz de a alcançar sempre… e sinceramente é no meio do imperfeito que se alcança algo… que se evolui.
Ontem estava entretida a ver a Oprah a ouvir entrevistas entre ela e supostas donas de casa de vidas “perfeitas”, naquele estado em que estamos no limbo… entre a realidade e o mundo dos sonhos, quando algo me captou a atenção.
Perguntava ela a uma das senhoras: “Nunca desconfiou de tamanha perfeição? Não houve indícios?”
Ao que ela responde “indícios havia mas nada que me levasse a suspeitar de algo!”
A sério que me deu vontade de rir… Vá lá nem ela que deu a resposta acredita nisso… E por motivos simples e básicos que aprendemos a nossa custa desde de pequenos:

1.      Uma mentira custa a manter, dá trabalho, cria falhas… consequentemente é detectada.
2.      Alguém que vive do nosso lado durante anos, que dorme e acorda connosco, que divide tudo… acaba por se tornar previsível… acabamos por ver que alguma coisa não bate… não faz sentido.
3.      Somos por norma curiosos… é a nossa natureza. Logo se isto nos salta a vista nós investigamos… e descobrimos. O que fazemos depois com essa informação são outros quinhentos.

Está certo que cego é aquele que não quer ver… e a conclusão que tiro é que muitas vezes vivemos durante tanto tempo no nosso mundinho… de falsas aparências, de perfeição imperfeita que acabamos por nos acomodar e fingimos que as evidencias não estão lá… que imaginamos coisas.
Agarramo-nos tantas vezes ao que julgamos ser o correcto que esquecemos o que somos… e isso sem raça, credo ou sexo! A verdade é que existem pessoas… em maior quantidade que menor infelizmente que se casa, junta, amantiza ou o que seja e se anula… de uma forma que caracteriza uma morte prematura da personalidade… deixa de ser quem sempre foi e depois é normal que o mundo perfeito onde vivem… o seu pequeno “castelo de cartas” seja protegido a todo custo… e a preços muito elevados mesmo.
No fim do programa a Oprah disse algo que para mim resume em tudo o que se passa hoje em dia… foi mais ou menos assim:
“Por norma a primeira aparência que alguém nos mostra é a realidade do que é… Se ele nos mente é um mentiroso… se nos trai é um traidor!” eu tenho de acrescentar se, se mostra perfeito é de fugir…
Porque não existem vidas perfeitas… pessoas perfeitas… existem momentos perfeitos e esses são tão raros que devem ser estimados e aproveitados.
Vivam sem medo da imperfeição… tal como a morte não é tão feia como a pintam é apenas algo que faz parte da vida… e que quando aproveitada tem a capacidade de nos mostrar que mesmo no meio dela… o perfeito acontece!

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Posted on February 9, 2011, in Uncategorized. Bookmark the permalink. 6 Comments.

  1. O meu maior defeito é ser a encarnação da perfeição:) Uma chatice…Acredita:)

    A perfeição é um ideal(ismo) e como tal inatíngível. E ainda bem…

    Haja verdade e respeito e já seria muito bom. Pelo menos para este mundo.

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  2. M.
    O utopismo de vida perfeita de certas pessoas dá-me vontade de rir…
    Procuram o que não atingem ignoram o que esta a mão…

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  3. Por mto q nos custe, as relações entre pessoas são contratos firmados com base no interesse. Enquanto nos interessa, e nos é útil (faz sentir bem), não ligamos às suas clausulas obrigacionais. Quando não interessa resolvemos imediata e unilateralmente o contrato debitando todas as letrinhas das obrigações para justificar a rescisão.
    As pessoas mudam? Bem, a excepção não faz a regra, portanto… Não não mudam (muito), muda sim a nossa acuidade visual e o nosso interesse/necessidades

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  4. Anónimo/a,

    A verdade é que as coisas estão sempre lá para serem vistas… as pessoas vêem é apenas o que não influencia o seu pequeno mundo.
    Vivem obsecadas com as coisas pequenas e não dão importancia ao que conta.

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  5. Recuso-me a aceitar que as relações entre pessoas são contratos firmados com base no interesse.Mas recuso-me mesmo…Sou uma ingénua!

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  6. Es fabulosa isso sim!
    Beijinhos

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