Começa a Maratona

E pronto ainda o Inverno está por aqui a dar o ar da sua graça… Ainda sopra os ventos e choram as nuvens e eu já começo a minha maratona para a abertura da nova colecção.
Já começam a darem a costa as caixas dos diferentes fornecedores… E lá começamos nós a desempacotar, catalogar, etiquetar… Enfim uma data de coisas acabadas em ar que nos tiram literalmente o dito dos pulmões entre o desembrulha, pendura, organiza e separa para as lojas.
Isto de se preparar uma nova etapa na vida da loja tem que se lhe diga, para terem noção nesta altura do “campeonato” já andamos em lufa-lufa a escolher a colecção de… Pois da próxima estação de Inverno. Ou seja ainda estamos nos saldos desta, já a sermos invadidas com a chegada da próxima e consequente parafernália de cores, tecidos, estilos e acessórios e já temos de dividir o cérebro em 3 e começar a ver e a pensar em que cores apostar para o próximo tempo de frio.
É um trabalho exausto física e psicologicamente, posso dizer que a sensação de desgaste é tal que a língua seca, os lábios gretam e os olhos recolhem em dois poços negros, conhecidos pelas olheiras que nem os correctores nos salvam…
Numa palavra ADORO!
A sério, não sou louca ou masoquista… mas adoro!
O ir ter com um fornecedor, que com eventualmente se cria um laço de “amizade” (uns mais que outros mas até temos tido sorte), olhar para os varões, passar os dedos pelas peças… absorver pelo tacto a suavidade do tecido… a leveza da confecção… o cair… as cores!
Idealizar a montra com elas, as clientes a quem se as vai vender… escolher entre diferentes marcas as que enquadram umas nas outras, as cores que combinam… aquelas que ninguém mais vai escolher porque o tema é mais quente e nos optamos pela diferença e investimos nos água!
As baldadas de água fria quando entramos numa colecção e nada nos chama… nos grita aos ouvidos… Eu sou a peça que vale a pena escolheres! (já nos aconteceu várias vezes).
O depois… as fotos tiradas o criar o portefólio que nos permite não esquecer passado 6 meses aquilo que vamos ter… o decidir com que material se abre a loja… qual o que avança primeiro… qual aquele que fica em stand para outra altura… a dor de cabeça para combinar acessórios que apenas são escolhidos na abertura com aquilo que idealizamos e o que realmente nos aparece!
Neste ano apenas fica a faltar algo que embora dolorosamente cansativo, me dava prazer em fazer… a fatídica viagem a Itália… antes de assumir este sonho na minha vida a 100% não tinha noção do que era a ida a terra da moda e da bela língua cantada… são 3 a 4 dias de pura intensidade… que leva o nosso cérebro ao limite e drena a energia que temos no corpo… dias de decisões rápidas e escolhas acertadas que nos faz marcar pela diferença neste mercado maioritariamente aberto a grandes marcas e a grandes supermercados de moda… onde entramos com personalidade e saímos clones das outras centenas de pessoas que por lá passam!
Não nunca gostei de ser mais alguém incógnito na multidão de caras fechadas e fardas iguais… marcamos pela diferença… apostamos onde ninguém aposta porque é sempre mais fácil copiar o vizinho…
E depois no final de noites mal dormidas… de dores musculares por má posição e pelo esforço de fazermos tudo sozinhas… depois da loja decorada, das peças marcadas… quando retiramos o ultimo pano que cobre a montra preparada para os 6 meses de uma nova estação… quando nos afastamos para a admirar e ouvimos os sussurros de quem passa… o virar a cabeça… quando vestimos as clientes e admiramos no manequim vivo as horas de amor que colocamos na escolha de cada peça… de cada cor… onde todas as decisões foram tomadas por nós… muitas vezes decisões suadas no meio da indefinição que se encontra o mercado hoje em dia… e os elogios aparecem…
Tudo se desvanece… as noites mal dormidas… os músculos doridos… as indefinições e indecisões… Fica apenas orgulho e a certeza que mais uma vez o objectivo foi cumprido e a maratona completa… apenas para iniciar uma outra essa diária de acompanhamento na loja… de luta… de vendas e de trabalho… para prosseguir o sonho e marcar a diferença.
No fundo seguimos um dos lemas de Paulo Coelho:

“Não tenha medo do sofrimento, pois nenhum coração jamais sofreu quando foi em busca dos seus sonhos.”
Não tenho… Não temo… No fundo a vida até protege os audazes… e o que faço todos os dias faço de coração!
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Posted on February 18, 2011, in Uncategorized. Bookmark the permalink. 2 Comments.

  1. Não te queixes! Até parece interessante.

    Pelo menos não é monótono…

    E é um traballho teu. Motivo de orgulho, não?

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  2. M.
    Não era queixa… mas sim partilha de algo que amo e que é motivo de orgulho sim!
    E monotonia não faz parte da minha vida e acredito que da tua também não (“,)

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