Querem fugir comigo?

Adoro as minhas fugas para os meus momentos de pura imaginação e realidades alternativas, já em criança fazia isso, fruto talvez de uma educação como filha única que puxava pelo meu lado criativo e me fazia criar amigos imaginários entre os ursos… bonecas e panteras cor-de-rosa!
Sempre adorei os meus amigos de brincadeiras… tínhamos autênticas conversas de gente grande… com perguntas… respostas… contra-argumentação e algumas vezes acesas discussões.
Tenho muitas memórias das minhas brincadeiras… do nome dos meus amigos… dos meus mundos alternativos… conseguia brincar uma semana seguida com histórias com a Barbie e o Ken… criar enredos… fazer história… dar o desfecho… chegava a chorar com as minhas próprias invenções.
E em todas as recordações que tenho sempre me acompanharam estas minhas fugas da para o meu cantinho onde a realidade era moldada a mim… 5 minutos… 10 minutos… as vezes apenas segundos mas que existiam como uma espécie de vitamina para a minha sanidade mental que me fazia ter sempre a capacidade para aguentar mais… e me moldou no que sou… para o bem ou para o mal!
E depois tive a sorte de ter sempre quem me orientou nesse sentido e me estimulou a levar para outros planos aquilo que guardava apenas para mim.
E se por um lado é verdade que não nos fazemos com as nossas próprias mãos também não é menos verdade que muito do que nos tornamos e do que aprimoramos depois de feitos se deve a pequenas coisas… pequeninas marcas tão insignificantes para tantas pessoas mas que nos dá alicerces para passar por tormentas como se de uma tempestade de verão se tratasse
Por isso não posso deixar de olhar a minha volta com tristeza quando vejo país… avós ou tios a recriminar a imaginação das crianças… as suas amizades virtuais (ou não… deixemos isso para outro texto) … as suas brincadeiras solitárias… as suas conversas com quem não esta!
Pior fazem-no de uma forma tal que não só reprimem esta capacidade maravilhosa que ajuda a desenvolver os mais pequenos mas de uma forma que os faz ficarem envergonhados por as terem!
Vivemos um tempo tão pouco humano que até arrepia observar certos comportamentos que existem e que são tidos de uma forma tão automática que nem é observada por quem os toma com olhos de ver…
 Todos têm necessariamente que ser igual ao outro… se antes a diferença era gratificada agora é apontada a dedo… camuflada… escondida!
Porquê?
Porque tenho de pensar como todos… de seguir o rebanho de forma ordeira… se não é isso que me faz ser melhor ou pior!
Porquê que o facto de tomar banho de água quente no verão e fria no inverno me faz ser alienígena neste tempo de andróides que nada são mais que máquinas frias que fazem tudo como deve ser para não terem de se preocupar em manter a realidade do que são!
Peço desculpa se o facto de dizer que amo a minha mãe em plena baixa Lisboeta sem controlar o volume do tom da voz porque me estou nas tintas para o que pensam vos ofende… Sinto muito se me apetece sentar no chão no meio de um centro comercial para brincar com uma criança que se sente só porque os pais estão mais preocupados em comprar imitações da Furla vos deixa incómodos… Minha culpa se no meio do transito reduzo para 40 km/h porque quero deixar passar uma pomba que não consegue andar porque foi mutilada por uma qualquer ovelha ordeira … ou dou prioridade a um cão sedento de afectos cujo único crime foi ter crescido demais… podem meter as buzinadelas no cú!
Essa sou eu… a ovelha negra deste rebanho ordeiro e hipócrita… que ama a frescura da noite… que se veste de preto porque gosta e não porque é moda… que acha os morcegos belas criaturas e as gárgulas deliciosas obras de arte!
E que ainda tem viagens imaginarias… historiais perfeitas na imperfeição de um mundo por mim criado… Que não é perfeita… ordeira… calma e ponderada!
Mas que ama e odeia com a força de quem vive!
E que só por isso e talvez por muito mais é feliz!
Algum problema? Logo vi que não!
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Posted on June 25, 2011, in Revelando-me. Bookmark the permalink. 14 Comments.

  1. Continua assim, a parar no meio de um centro comercial para brincar com uma criança, a gritar os teus sentimentos, a parares por um animal ferido….o mundo precisa de mais pessoas assim….vive e sê feliz amiga..sê muito feliz genuína e autêntica como és…
    bjs,
    Olga

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  2. Olga,

    As vezes é dificil mantermo-nos fieis a nos mesmos dia após dia…
    Obrigada por estares ai… pela tua amizade.

    Beijo

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  3. Já sabes o que penso. E como tu sabes o que queres. E o que és…

    Vamos lá viver:)

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  4. Olá… Gostei imenso do texto, acho que perdemos demasiado tempo das nossas vidas a tentar ser igual os outros, com medo do que os outros vão pensar. Já tive uma altura na minha vida que estava constantemnete à procura da aprovação dos outros para tudo o que fazia, sempre a tentar agradar a toda a gente. Fartei-me. Se não vivermos para nós, então para quê tanto esforço? Como costumo dizer… Quem não gosta, que não olhe!

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  5. M.

    Vamos sim…
    Porque em certos e tantos aspecto somos iguais
    =)

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  6. Ana,

    Antes de mais obrigada pela passagem e pelo elogio…
    Sinta-se em casa!
    Sim perdemos demasiado tempo a olhar por cima do ombro preocupados com o que vai parecer ao em vez do que na realidade é!
    O ideal? Ser sempre fieis a nós mesmos!
    =)

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  7. Olá, também eu sou filha única.
    Percebo-te em tudo.
    Continua assim. Os perfeitinhos são uma seca…

    Beijinho

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  8. Nem mais, para que serve fazermos tudo igual aos outros?
    **

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  9. Violeta,

    Sim a perfeição é a maior das secas… tudo tão linear!

    Beijinho

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  10. 100 Pretensões,

    Porque cada dia mais temos medo de assumir as nossas diferenças.

    Beijo

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  11. Humanidade?!
    Ainda existe?

    Só te peço: luta se for caso disso, deixa escarnecer quem não(?) te entende (pobres deles!), mas não percas nunca essa tua maneira de estar na vida.
    E deixa passar o pombo, e grita bem alto que amas a tua mãe, e sê genuína, mais do que tudo, sê gente de verdade!
    Fugir contigo para um mundo melhor?
    Claro que fujo!
    Beijinho.

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  12. Teresa,

    Vamos então fugir as duas para onde ser humano e ter orgulho disso vale a pena.

    Beijinhos

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  13. Conheces esse lugar?
    Diz-me onde é, por favor.

    Beijinho.

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  14. Teresa,

    Quem me dera saber… já tinha ido para lá!

    Beijinho

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