Ideias malucas que me assaltam de repente

Há algum tempo atrás fiz uma formação sobre gestão de tempo… talvez possam pensar que terá sido por si só uma perca de tempo, mas posso garantir-vos que no meu caso não o foi de todo.
Talvez tivesse tido sorte com o instrutor que transformou o curso numa espécie de “descubra-se a si mesmo em 15 lições”, mas a verdade é que aquelas horas pós laborais que passei enquanto o frequentava fizeram-me ver as coisas de uma maneira diferente do que até então via!
Não que tivesse descoberto o “Ovo de Colombo” já que muitas das ferramentas que adquiri no curso já as conhecia, mas o facto de nos ser apresentada as coisas de uma maneira distinta faz com que tenhamos uma visão diferente daquilo com que lidamos diariamente e de uma forma automatizada.
Uma das coisas que aprendi já á bastante tempo e que tento incutir na minha vida, mesmo que as vezes vá contra o que idealizaria, é que tudo tem um tempo de duração… e uma ocasião para acontecer. Passar por algo cedo ou tarde demais faz com que se perca a magia da coisa… a lição que se deveria ter tomado.
Entre as discussões que tínhamos diariamente na sala de aulas, e porque na altura nenhum dos alunos era já menino de escola, tinha a ver com a forma como “arrumávamos” o nosso dia e como o organizávamos em prioridades. A forma como ele explicou o seu ponto de vista fez de tal maneira sentido para mim que o adoptei sem apelo nem agravo para o meu dia-a-dia e para a minha forma de pensar.
Imaginem o seguinte cenário:
“Um vaso vazio e pedras de diferentes tamanhos a volta… de grandes a pequenas… até a areia…Como o arrumariam?”
Depois da explicação dele eu fiz o meu vaso da seguinte maneira:
Pedras grandes em primeiro lugar (que simbolizam o que de maior importância tem na minha vida), médias ocupando os espaços intermédios deixados pelas pedras grandes, pequenas colocadas especialmente nos buracos que ficaram entre os dois tamanhos anteriores e por fim a areia… que coloquei com carinho deixando deslizar por todos os pequenos “momentos” que coloquei no vaso. Fui das poucas que colocou todos os elementos no vaso… e no fim perguntei… e um cacto posso colocar também?
Ao que ele respondeu… cacto? Para quê se tem picos?
A minha resposta na altura quando tive de apresentar o trabalho foi a seguinte… mais coisa menos coisa =):
Todos perdemos demasiado tempo ou com os grandes acontecimentos da nossa vida…ou com as minúcias que ela nos trás… Mas para mim a vida é feita de tudo…de todos… e de mim em harmonia.
Por isso o meu vaso tem de ter:
Ø  Os grandes acontecimentos da minha vida onde perco sempre mais tempo… O trabalho… a família… as obrigações!
Ø  Os médios onde se inclui os direitos… as distracções… os divertimentos…
Ø  Os pequenos onde estão todas as pequenas tempestades em copos de água… onde perdemos o sono a tentar resolver o que não tem resolução. Onde passamos o nosso tempo a tentar mudar o que esta predestinado!
Ø  E a areia… os momentos especiais que se infiltram em cada espaço da nossa vida e nos envolvem para o bem e para o mal!
Ø  E no fim o cacto… a flor que por mais espinhosa que possa ser… consegue sempre absorver a humidade das condições mas adversas e quando se sabe aproveitar não só da sombra como mata a sede!
Foi confesso daqueles momentos que se tivesse um buraco me tinha enfiado de cabeça, tal foi o silêncio que se seguiu… mas que deixou em mim marcas que me acompanham até hoje e que vou fazer questão que façam parte de mim para sempre.
Vou como é lógico continuar a ferver em pouca água… e a ter calma em tempestades “tsunamicas”… isso faz de mim o que sou!
Vou continuar a perder a cabeça no transito… a saltar-me a tampa com má educação… com falta de inteligência. Vou continuar a achar graça aquilo que toda a gente detesta.
Mas no fundo vou manter em foco que nenhum momento por maior que seja substitui a areia que envolve cada um deles e que a magia é saber olhar como se vivêssemos pela primeira vez todos os dias… e que os momentos são mesmo assim… pedras que colocamos no vaso que no fim de contas somos nós mesmos! E é a forma como o “arrumamos” que vai fazer de nós pessoas que não serão apenas figurantes no tempo que passam por este paraíso que é a vida!
Fica então aqui a pergunta:
E vocês? Como arrumariam o vaso? Já pensaram nisso quando perdem o vosso tempo com coisas tão grandes ao invés das mais pequenas que alimentam a alma?
Namasté!
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Posted on July 11, 2011, in Uncategorized. Bookmark the permalink. 14 Comments.

  1. Antes de mais: o teu texto está genial…. mesmo!!
    Depois:
    Confesso que por vezes emprego o tempo em coisas que provavelmente os outros achariam perda de tempo… planeio o meu tempo dando sempre primazia à família, que são os meus pais, e aos meus amigos (os bons e verdadeiros amigos, tenho sempre tempo para eles), depois tempo para eu fazer as coisas que gosto e depois, com a sua importância o trabalho… claro que as areias inflitram-se por aqui e por ali, mas creio que é essa areia dá colorido e que ajuda a perceber qual o seu nível de importância das pedras maiores e menores que colocamos no vaso….
    Beijinhos,
    OlgaM

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  2. É complicado. Concordo que tudo tem o timming certo. As pequenas e as grandes terão que andar a par. Eu pessoalmente concordo em viver o presente, mas preparar o futuro, pois aí iremos permanecer muito tempo. Claro que tava a pensar nas grandes como os alicerces básicos da nossa existência, e as pequenas enquanto pequenos prazeres diários mas nem com isso mundanos.
    O equilibrio… sempre o equilibrio.
    Beijinhos Utena

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  3. Olga,

    Obrigada pelo carinho sempre tão especial.
    Continua assim… a dar valores as personagens que mantém a tua vida plena!

    Beijinhos

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  4. Coisas de Feltro,

    Sim equilibrio sempre mas sem nos deixarmos tornar rigidos por ele…
    As vezes a prefeição vem quando um ligeiro desiquilibro dá cor e forma á vida.
    Mas isso sou eu que penso assim que não sou muito boa =)
    Beijo

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  5. Penso nessas questões muitas vezes por acaso… porque me parece muitas vezes que perco demasiado tempo em coisas que me fazem sentir culpada de não perder mais tempo com outras… mas são as que me dão prazer :)As obrigações vão ficando para trás, rrss… penso que o meu vaso teria de tudo um pouco, sem ter ordem definida se calhar…pois as prioridades parecem variar de dia para dia… Beijinho

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  6. Eva,

    As prioridades mudam… mas a forma de as vermos não!
    =)
    Beijinhos obrigada pelo carinho sempre presente nas tuas palavras

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  7. Excelente resposta!
    Eu acho que diria basicamente a mesma coisa…só diferia a qualidade da escrita,como é óbvio!
    🙂

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  8. Close up,

    Bem vinda antes de mais…
    Obrigada pela visita e volta sempre
    =)

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  9. Concordo com seu texto…Existem tantas coisas pequenas e mais importante que alimenta a nossa alma, e as pessoas não dão os devidos dá valores. Beijos e ótima semana.

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  10. Smareis,

    Obrigada pela passagem.
    Sim perdemos demasiado tempo com a grandiosidade do que não interessa.

    Obrigada igualmente… óptima semana beijos

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  11. São as pequenas coisas que nos proporcionam os maiores momentos de felicidade 🙂

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  12. Nokas,

    E disseste tudo =)

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  13. A vida é composta de viver, saber viver, dentro da sua composição, trás a parte indefinida da própria vida, que e saber se vamos continuar cá no momento seguinte, planificar a vida, tende e ser errado, nos tencionamos andar cá muito anos, mas não sabemos o que vai acontecer daqui a uns minutos ou umas horas, a melhor solução mesmo, é colocar pedras pequenas e uniformes no vaso, não existem nem pedras grandes, nem pequenas, existem pedrinhas, iguais e uniformes, a vida e uma luta todos os dias, mas nos nem lutamos muito por ela, não temos de matar para comer, por exemplo.
    Temos o trabalho que nos ocupa uma parte do tempo, e qual a outra parte que nos ocupa outra parte do grande tempo de vida? Dormir, dormimos tanto quanto trabalhamos, e a parte do viver, do partilhar, do amor, são todos pequenas partes de algo maior um dia, sabem qual? O dia de ter um filho, esse sim, será a pedrinha maior do nosso vaso, a nossa descendência, organizar tempo, tirar cursos, não me levem a mal, mas o tempo por mais bem organizado que esteja, não dá tempo para tudo, somos grãos de areia neste mundo, meter pedras em vasos, ensina, mas não vive, não respira, tal como o cacto, se não tiver humidade, morre, porque alguém com falta de tempo se esqueceu de o regar..

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  14. Anónimo (não desconhecido para mim),

    Como em tudo concordo e não concordo contigo… e não descansa que não vais levar porrada que eu sou uma mulher pacifica e tu és grande e ainda levava de volta =)
    Penso que o problema maior consiste em não se levar a vida como ela é…única e mágica. Plena de grandes momentos que valem o que valem e pequenos que nos enchem a alma e iluminam o coração.
    Não me leves tu a mal mas eu não vivo de uniformidades nem do banal do dia-a-dia mas do borrão de cor que macha o cinzento da letargia que muitas vezes nos deixamos cair.
    Podemos ser areia sim mas a areia já foi rocha um marco maravilhosamente único numa paisagem que se moldou as intempéries que por ele passaram.
    O que importa no meio disto tudo? Não nos esquecermos que o cacto está lá e que as vezes nem é preciso regar… basta dar-lhe um pouco de humidade

    Beijinho

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