De mim para ti!

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Este conto é dedicado a alguém que não só entrou para o meu coração, mas que se entranhou na alma. A minha irmã por afinidade!

“O sol sabe mesmo bem no rosto, deveria sem dúvida ser considerado património da humanidade estes momentos mornos agora que entramos na Primavera – pensou Cristina enquanto observava o campo cheio de Margaridas… de seu nome igual à dona da casa onde vinha passar uns dias de férias.

– Cristina? Que fazes aí fora mulher? – Perguntou Margarida da soleira da porta

Cristina sorriu, já se tinha habituado aquele termo carinhoso, aliás já fazia parte do vocabulário daquelas duas mulheres que o destino juntou, há tantos anos atrás na cave bolorenta que alguém designava de Museu. Mesmo no momento mais difícil das duas, a palavra tinha sido usada. Ainda a conseguia ouvir:

– Não vamos deixar de falar pois não mulher? Todos os dias certo?- Palavras sussurradas num abraço apertado no aeroporto de Lisboa, quando Margarida resolveu ir para onde estava o seu coração… a Escócia…

– Achas? Tens de me dizer se sempre andam “descalços” lá os maganos com os kilts – disse Cristina – além do mais vou ser madrinha da tua cria daqui a um ano ou dois, por isso temos de manter contacto.

E passados dois anos aí estava ela, na casa da sua irmã de coração, mês e meio após ter nascido a pequena de olhos cinzas que tinha arrebatado o coração da sua tia emprestada e agora quase a tornar-se madrinha.

Engraçado como as coisas eram, nada faria prever que aquelas duas estranhas, que por um mero acaso do destino se tinham cruzado nos meandros da vida se iriam tornar tão próximas, mas a vida não escolhe com quem nos cruzamos… e é verdade que mesmo a família nos sendo imposta, a de coração é escolhida.

Era muito bom ver o sorriso no rosto de Margarida, há dois anos atrás, estava desesperada e a beira de uma depressão… sem trabalho… sem namorado…

Tinha sido sem dúvida uma bênção na sua vida aquela viagem às Terras Altas, mesmo tendo sido um trabalho hercúleo convence-la que valeria a pena o risco.

Melhor foi ser espectadora do desenrolar do destino para a felicidade da sua amiga – Cristina sorriu enquanto soprava o seu chocolate quente – tinha sido ela antes mesmo daquela tonta se dar conta, quem se apercebeu que a teimosa estava apaixonada pelo dono da galeria para onde fazia as traduções.

Fechou os olhos, enquanto a bebida a aquecia por dentro e lembrou-se dos calorosos debates entre as duas:

– Então já o agarraste e o beijaste à maluca? – dizia Cristina

– És louca? O homem é um idiota convencido – respondia Margarida – não sei como é que o ego dele e ele cabem no mesmo escritório.

– Vocês ainda casam e finalmente me dás a minha afilhada. Ah e sou eu que escolho o nome.

– Sim, sim mulher! Isso tudo e um par de botas…

A revelação foi sem dúvida uma pancada na cabeça, mas também aquela “mula empacada” só assim é que acordava para a vida… o telefonema de madrugada com ela a chorar tirou o chão a Cristina:

– O Steven teve um acidente e esta muito mal… não sei que faça!

– Então? O ego não o protegeu?

– Não digas isso! O que eu faço mulher? O que eu faço?

– Vai para o hospital e fica do lado dele, estás a espera do quê? Aproveita e diz-lhe que não podes viver sem ele… Vais ver como ele acorda para ti!

O casamento aconteceu 2 meses depois! Cristina teve pena de não ter ido… mas a alegria na voz da amiga valeu por tudo.

Suspirou e olhou para o relógio… a que horas era mesmo o baptizado? Já ia para dentro, mais um pouco de sol…mais umas lembranças… aliás o que é a vida sem lembranças?

A notícia da gravidez… sim foi épica… uma caixa de 1m por 1m entregue na loja… muitos papéis no meio e uma babete… “Queres ser minha madrinha?”, já não se lembrava de chorar de alegria há muito tempo… mas naquele dia a quota de lágrimas alegres em falta tinha sido restabelecida. Ligou ainda ranhosa e fanhosa:

-Estas parva ou quê? Dava-te uma coça se não fosse eu a madrinha.

– Outra coisa não poderia ser pois não mulheri?

Abriu os olhos para o presente, tinha mesmo de se convencer a largar o sol, levantou-se sacudiu o vestido e caminhou para a porta. Parou na soleira, mãe e filha juntas… o sorriso de Margarida, isso sim era digno de ser visto, e aquecia como o sol tímido da Primavera.

– Estava a ver que tinha que te ir buscar com uma colher de pau mulher! Que se passa estas a olhar para mim assim porquê?

– Olha lá posso pegar na minha afilhada ou não?

Pequena princesa, olhos cinzentos como a tempestade no mar… sorriu assim que a colocou no colo…

– Eva, vais ter se ser tu a ensinar a tua mãe que os milagres acontecem sempre que acreditamos neles.

-Eva? É esse o nome que escolheste?

– A culpa é tua oh gaja, não és tu que passas a vida a chamar-me mulher? Nada como a tua filha ter o nome da primeira que existiu não?

Sorriram as duas e disseram ao mesmo tempo aquilo que ainda faz tanta confusão ser ouvido entre amigos, mas que faz tanto sentido entre estas duas mulheres:

– Love u – diz Margarida

– Lobe u2 – responde Cristina com o seu sorriso sarcástico bem espelhado no rosto… e ressalva – eu não te disse que a felicidade estava mesmo à esquina a tua espera?”

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Posted on January 9, 2015, in Contos. Bookmark the permalink. 2 Comments.

  1. <3….
    é isso mesmo que a tua maravilhosa escrita reflete: a amizade que une duas pessoas e que espero que dure para sempre…
    o melhor que trouxe da catacumba foste tu….espero que continuemos sempre juntas e que sejas mesmo madrinha da Eva 🙂
    comoveste-me..chorei..adoro-te minha irmã… é isto…

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