50 tons cinza

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Confesso que sou uma amante de livros, de viajar pelas palavras que nos podem ser traduzidas por eles. Gosto de fazer o meu próprio filme na mente, por isso me desiludo tanto quando existem adaptações para o cinema.

Sou esquisita no que leio, não sou influenciada pelos best-seller do momento e nunca compro um livro pela capa, gosto de me passear por uma livraria, mas uma livraria das antigas em que o cheiro nos envolve e até o barulho da rua se deixa de ouvir, de abrir o livro ao calhas, ler três linhas, deixar que me absorva e que me sussurre “não queres ler mais?”.

Por isso posso aqui dizer que nunca me “chamou” o livro tão falado de momento, “Fifty Shades of Grey”, não sei se pelo nome, desculpem mas não me é nada apelativo, um título que na tradução livre se resume a qualquer coisa como “Os 50 tons de cinza”, ou se pelo assunto em si.

No entanto e depois de ver o burburinho que se foi gerando em torno do tão famigerado conto, acabei por ser vencida pela curiosidade, que fui saciando com o que ouvia daqui, o que lia dali e cheguei a constatação que o livro não é mais que uma prova que continuamos num mundo falsamente pudico onde os verdadeiros desejos são escondidos por detrás do que é politicamente correcto.

Sejamos sinceras, quantas de vos, que gritam aos quatro cantos do mundo que gostariam de um Grey na vossa vida estariam dispostas a entregar-se cegamente a um sadomasoquista?

Por mais encantadas que se possam sentir, seriam realmente capazes de se entregarem a um homem, de ficarem a sua mercê? Indefesas? Sem hipótese de defesa, caso fosse necessário?

Têm noção da confiança necessária que tem de existir numa entrega como esta?

Ou pior ainda, têm a certeza que sabem o que é na realidade o mundo do sadismo? Porque por aquilo que me foi dado a ver nas pesquisas que fiz, o livro tem muito pouco de realidade e muito de ficção alusiva.

E mais ainda, ao apelidarem as leitoras de “pornô mamas”, mas me provam que hoje em dia, ainda se mantém a inexistência de diálogos entre casais, que poderia evitar muitos maus entendidos e alguns enfeites na testa.

Sim o livro é envolvente, sim todas e todos desejamos um encantamento daquele género, não, não é motivo para tal euforia e histerismo e principalmente para comentários do género “ o livro que vai transformar o vosso sexo baunilha em picante” a sério?

E mais ainda, pelo que me foi dado a ler, o que raio é que vem a ser aquele actor? Um Grey envolvente e carismático? No máximo fica mesmo pelo nome da personagem Grey=cinzento.

E pronto não me alongo mais, já que a pala deste texto devo ter juntado mais uma “hatters” ao perfil (hatters é esse o nome que agora se utiliza não é?)… mas nunca se sabe, pode ser que me aconteça como ao Guru e ainda me vá justificar a televisão.

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Posted on January 13, 2015, in Pensamentos. Bookmark the permalink. 8 Comments.

  1. Só para deixar um beijinho…Nokas

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  2. Não li, nem pretendo ler tão cedo e muito menos ver filmes dessa saga. E concordo quando referes o histerismo exacerbado. Tenho colegas de trabalho cujos olhos brilham qd falam nessa literatura 🙂

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  3. Gostava de te seguir mas aqui o WordPress não aceita a minha password nem o meu e-mail. Explica-me lá como te consigo seguir na nova casa…

    Beijocas

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