Vidas Cruzadas

il_fullxfull.307721908Na escola ensinam-nos que a vida é cíclica… o ciclo da vida sempre me deixou fascinada… a medida que fui crescendo apercebi-me que não era mais que a típica frase que tantas vezes ouvi da minha avó…”o que é teu a tua mão vai parar”… e embora em miúda sempre pensasse que ela se referia ao “príncipe encantado”, a inocência tem dessas coisas, a medida que fui crescendo fui-me apercebendo que a frase tem um alcance mais global ainda que qualquer biologia que aprendi no ciclo!

Outra coisa que é normal são os acontecimentos que por norma juntam membros importantes da nossa vida, uns porque fica mal não convidar (casamentos e baptizados são uns deles) outras porque fica mal não aparecer (hospitais e enterros… e outros que tais) …pensando bem a minha avó costumava ter outra frase com respeito a isso… “é quando estamos no hospital ou na cadeia que vemos quem está de facto do nosso lado”

Infelizmente já passei por isso na fase do hospital e também já marquei presença, não porque “fica bem”, mas porque de facto fazia sentido eu ir e só Deus sabe o que me custa passar as portas do mundo das batas brancas!

A vida é engraçada, damos tanta importância a umas coisas…juramos a pés juntos que não nos importamos com outras e que nunca iremos actuar em relação a certos acontecimentos e ela vem e muda tudo…muda a forma de pensar…de sentir ou de agir e querem saber o que mais? Ainda bem que assim é!

Não me envergonho de voltar atrás nas minhas decisões é sinal que continuo a evoluir como ser humano e é isso que faz de nós seres, não é?

Quando era mais miúda, (verdade seja dita nunca fui muito miúda) olhava por uma prima minha… sabem como é? Aquela prima mais nova que nunca nos larga, que se senta do nosso lado no restaurante…que vai connosco no carro… que dorme agarrada a nós… que depois cresce segue a vida e nem se lembra disso 🙂

Eu tenho uma prima assim que os meandros escuros, (que não são agora aqui chamados) afastou de mim… uma prima que eu protegia contra tudo e todos…contra a maldade da vida que a rondava de perto. Mais de 20 anos depois essa prima voltou, pediu para reentrar na minha vida, confessou que do pouco que se lembrava o que mais recordava era o meu colo e o meu abraço…eu abri a porta…mentira, abri uma fresta da porta convencida que na realidade não queria saber se a tinha de volta ou não…era mentira!

Apercebi-me disso quando o destino nos fez a partida de a atirar para a cama de um hospital entre a vida e a morte… o relatório não podia ser mais cruel…mais uma hora sem tratamento e teria sido ela o motivo da reunião familiar onde fica mal não aparecer.

tumblr_lpw70pBltT1qjnykbo1_500_largeE foi isso que pensei quando a vi deitada na cama, da cor dos lençóis que a cobriam que a menina que me pedia para entrançar o cabelo porque queria caracóis como eu tinha crescido, mas precisava na mesma do colo da prima mais velha…vi isso no débil brilho do olhar que me devolveu quando entrei no quarto com as minha maluquices do costume… a comédia é sempre a melhor arma de combate ao desespero… e neste caso arranca as portas dos gongos que as suportam.

A minha prima é como eu… ensinei-a bem durante as horas em que brincávamos as barbies ou aos penteados malucos… na vida somos sempre nós que conquistamos o que queremos e nenhuma luta está à partida perdida… “o jogo só termina quando a senhora gorda canta” e a morte pelo que sei é bastante magra.

3 semanas de desespero, sem respostas nem para as perguntas mais básicas… mas a luta foi vencida… as bases foram muito bem aprendidas e ainda bem.

O colo faz milagres e o abraço apertado sem reservas é retemperador…pelo menos entre duas primas e mesmo com 20 anos de separação.

Certezas absolutas não existem mesmo quando alguém é teimoso como eu e acha que já nada a surpreende.

A minha prima já esta em casa… se vamos recuperar o que tínhamos quando miúdas não sei, o que sei é que na vida nada é certo e ainda bem que assim é!

Namasté _()_

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Posted on July 11, 2015, in Uncategorized. Bookmark the permalink. 2 Comments.

  1. Utenamiga

    A vida é dura. É vingativa, É miserável. Mas também todos os espinhos têm as suas rosas (creio que não é exactamente assim, mas deixa pra lá…)

    As doenças são todas más, não precisam do quase. Sei bem o que digo: estive durante cinco anos, sublinho cinco anos e seis psiquiatras com uma depressão bipolar; e safei-me pois estabilizei-me porque a bipolar é incurável!…

    Éramos três irmãos; o mais novo (com 33 anos) suicidou-se com a espingarda que usava em Angola para caçar elefantes.

    A vida é MESMO DURA!

    Qjs do alfacinha (que espera ver-te de novo na nossa TRAVESSA, obrigado; não escrevi obrigada….)

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