Para veres o arco-íris tens de saber enfrentar a chuva

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Há cerca de 10 anos o meu pai foi operado ao coração, a operação não teve sucesso pretendido o que originou uma segunda no mesmo dia, esta na sala dos cuidados intensivos. O médico que o operou, e que não o deixou nas mãos de mais nenhum fez o possível e o impossível para o salvar, conseguiu é um facto. O meu pai passados 10 anos está saudável, nunca mais sofreu do mesmo, nem teve de voltar à faca. Lembro-me no entanto, e nos tempos que correm mais ainda, uma frase que ele nos disse quando a minha mãe perguntou se ele ia ficar bem e saudável: “o que importa é salvar-lhe a vida, depois logo se vê o estado em que fica”, lembro-me mais ainda da resposta: “se for para o meu pai ficar refém de uma cama, não perca tempo a salva-lo”, pode parecer-vos duro o que disse, mas para mim foi apenas e só um acto de amor que espero que o tenham comigo se eu um dia estiver numa situação semelhante.

Hoje em dia e quando leio o “vamos ficar bem” decorado com brilhantes arco-íris acabo por associar o que passamos com aquilo que me disse o Doutor há tantos anos atrás. Sim vamos ficar bem, mas vamos ficar a mexer ou vamos ficar agarrados à máquina, comatosos sem futuro, sem soluções, sem saber o que fazer para puder progredir com uma vida saudável e condigna?

Atenção que eu não sou contra o estado de emergência, nem me acho comentadora politica de sofá e pantufas, estou apenas a pensar até que ponto anda meia dúzia a remar a favor da maré enquanto que outra meia ou saltou do barco ou não distingue bombordo de estibordo.

Não, infelizmente não vamos ficar todos bem, porque o ser humano é aquele bichinho maravilhoso que não aprende e cujo o seu umbigo é sempre mais importante que o outro. Não, não vamos ficar todos mais unidos numa roda a cantar o kumbaya enquanto unicórnios voam e soltam peidos com as cores do arco-íris.

Vivemos uma época difícil, de decisões impossíveis e duras. Vivemos uma época onde nem todos vão sair sãos, onde muitos vão sucumbir ao desespero, a desilusão e à angustia… há impotência que se planta na alma quando não pudemos fazer nada.

A ironia disto tudo? Até a pouco tempo debatíamos até que ponto os médicos violavam o seu juramento quando se falava em eutanásia… agora pedimos que decidam quem vive e quem morre… e o paciente? Esse já não tem voto na matéria.

O luto vai continuar muitos meses depois de isto passar… famílias vão perder membros , fonte de sustento, sonhos, negócios e sanidade… por isso não! Não vamos ficar todos bem, não vamos ficar enquanto nos limitarmos a pensar que arco-íris e frases chavão no facebook, vidros dos carros ou janelas fechadas for a única coisa que façamos pelos outros. Pudemos até ficar minimamente melhor se nos lembrarmos que estamos todos no mesmo barco.

Uma raça, uma nação, uma luta, uma escalada, um só povo! Sem egos, nem frases feitas… nem vontades fajutas de abraços. Mas com união e vontade de vencer!
Mantenham-se fortes, mantenham-se sãos e lembrem-se mesmo que não fique tudo bem estaremos cá, pelo menos aqueles que continuam a remar, para fazer o que for possível.
Namasté _()_

“Nas nossas vidas, a mudança é inevitável. A perda é inevitável. A felicidade reside na nossa adaptabilidade em sobreviver a tudo o que é ruim.
Buda”

Numa altura em que fazia falta um novo Woodstock o que abundam são encontros “support”

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Sim eu sei que muito provavelmente deveria estar para aqui a debitar o meu “pânico” sobre o COVID-19, aka coronavírus, que isso me iria fazer ser mais lida… que iria mostrar a minha preocupação sobre a situação… mas a verdade é que pânico não tenho, a minha preocupação neste momento reside mais no que este alarmismo esta a fazer a economia do que propriamente com algo que poderia ser se não evitado, ao menos diminuído, com simples regras de higiene e civismo!

Epidemias e pandemias é algo que sempre existiu e num mundo sobrelotado e a chegar ao seu limite a passos largos é algo que tem tendência a aumentar.

Não, hoje venho falar de outra coisa, que não sendo provavelmente mortífera (morte por tédio não conta), pode ser contagiosa e perigosa, que são os autoproclamados “grupos de apoio”… muito estilo “Guru do amor” com as suas pretensas ideologias de paz e amor mas que tendem a classificar de uma forma bastante dissimulada, diga-se de passagem, o típico ou pensas como eu ou então não podes fazer parte do nosso kumbaya, de pensamentos positivos, troca de experiências e evolução em conjunto (seja lá o que isso quer dizer).

Nunca fui de grupos, e no meu tempo eles existiam, betos, góticos, nerds, desportistas, barbies…. Sempre me dei bem com todos e sempre tive problemas com todos, porque na realidade sempre pensei, e vivi, sobre o lema que somos todos iguais… sem raças, credos, sexo… para mim nada me é impossível e em nada sou melhor que os outros… assim como ninguém é melhor que eu!

Taxarem algo que deveria ser intrínseco sempre me fez confusão… encontros e paradas, sejam eles de que orgulho forem em pleno séc.XXI, apenas mostra uma humanidade pobre de espírito e fechada num conceito medíocre e podre do “são eles não somos nós”… não existe eles, quando temos fronteiras abertas… mas também não adianta as termos se a mentalidade continua fechada.

Acreditar que o assédio só ocorre às mulheres é a mesma coisa que pensar que aceitamos os gays porque o nosso cabeleireiro é muito talentoso, mas o nosso filho é um garanhão de primeira! Achar que as obras são coisas de homens porque as mulheres não têm a mesma força é cuspir na memória de todas as mulheres e homens que lutaram e morreram para validar os seus direitos… e criar encontros de apoio entre mulheres para mim tem o mesmo sentido que tem irem aos pares à casa de banho… nenhum!

Hoje em dia não sabemos estar sozinhos, mas vivemos num mundo isolado de sensações e sentimentos… tão ligados tecnologicamente que nos esquecemos de ver que embora as palavras tenham força elas não são nada sem acções… e as acções nada são sem sentimentos!

Namasté _()_

A humanidade é infeliz por ter feito do trabalho um sacrifício e do amor um pecado.
Henrique José de Souza

Sobre os Quilombos do Séc. XXI

17800257_1745826415431314_5304798852570904547_nNão existem povos racistas, existem pessoas racistas! Isso é um facto que não pudemos nem devemos varrer para debaixo do tapete! Existe e ponto… Sempre existiu e confesso que em pleno Séc. XXI não me parece que vá acabar de um dia para o outro. O ser humano é mesmo assim… Imperfeito na sua forma perfeita de ser.

Um racista não é um bicho papão… aliás lido melhor com um racista assumido que com um faz-de-conta que não sou e estou aqui a defender os pobres e oprimidos. Não tenho paciência para defensores de causas “UI! Sou tão defensor nas redes sociais”. As causas a meu ver defendem-se todos os dias… nas filas dos supermercados, na paragem do autocarro, a porta das escolas. Uma chamada de atenção até pode não fazer muita diferença a quem é dirigida, mas faz toda a diferença se pelo menos entrar nos ouvidos de uma das pessoas que se encontrem presentes.

A mim o que me faz parecer, e mais uma vez não estejam a espera que eu flua com as massas nunca precisei de ser amada, é que estes defensores das causas do Quilombo após era colonial já andam a meter nojo. Hoje em dia qualquer coisa é motivo de racismo, a moda instalou-se de tal maneira que aquilo que deveria ser algo natural no ser humano que é defender outro ser humano, está a tornar-se anti-natura!

Não acreditam? Então façam este teste comigo:

  • Se eu for a um café e for mal atendida por uma funcionária branca e portuguesa e reclamar é um direito meu! Se pelo contrario a funcionária for preta (chamar alguém de cor é só estupido) ou brasileira, ou ET de Marte, o direito deixa de existir e eu passo a ser defensora Neo Nazi do partido do André Ventura!

Já vivi num país onde sofri na pele o racismo… e eu sou branca e ruiva e cenas e tal, isso fez com que acusasse o país inteiro desse mal? Não, isso fez com que abanasse a cabeça e tivesse pena das pessoas que vocalizaram tais alarvidades, porque é isso mesmo que as pessoas merecem, pena!

Eu não digo que certas causas não mereçam ser defendidas, merecem sim, mas defendam na altura e no sitio certo e façam-no na altura em que tal acontece e já agora que andam tão aflitos por defender causas mesmo quando elas nem existem, aproveitem e levantem-se nos transportes públicos quando um idoso ou uma grávida entra… ensinem os vossos filhos que somos todos iguais, aprendam a não apontar o dedo porque fulano é gordo ou magro, ou gay… não acusem sem saber o que está do outro lado, sem conhecer a história que levou a Marcelina a ser mulher da vida ou o Francelino a trair a mulher mas mais importante que isso metam-se na sua vida… de certeza absoluta que também não vos falta telhados de vidro…eu os meus conheço-os muito bem e afasto-me das pedradas… não vá a corrente de ar que depois se forma ser fria demais!

Namasté _()_

 

Manipura

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Tenho andado ausente das teclas, pelo que em primeiro de tudo peço desculpa e em segundo agradeço a quem ainda não desistiu de me ler… vocês são os maiores!

Quem me conhece sabe que adoro ler, leio tudo, de tudo, e a tudo aquilo que consigo deitar as mãos. Sou aquilo que gosto de chamar de uma “oferecida” ás letras. Nada me cansa,dos romances épicos, aos ficcionais… das teses ás teorias… dos ensaios clínicos aos científicos… tudo me fascina, porque me fascina a mente humana e porque ainda sou daquelas que pensa que sendo o cérebro um músculo convém exercita-lo.

O último livro que me prendeu, foi a Origem de Dan Brown, gosto muito deste autor, pela sua capacidade de pesquisa e investigação, e pela forma como “brinca” com as nossas crenças, sejam elas quais forem… mesmo os Ateus são crentes que nada existe… pelo que no fundo, no fundo, todos acreditamos em algo mesmo quando não temos certezas.

Segundo o livro, o criacionismo não existe e a existência da vida na terra foi uma forma da terra libertar energia… somos o fruto do acaso… e a forma como estamos ligados à tecnologia temos a tendência de nos fundarmos a ela, criando uma nova espécie híbrida e tecnológica.

Eu pessoalmente acredito em energia, seja ela Buda, Jeová, Isis, Kali, eu acredito que algo superior nos rege…nos orienta… não sei porque uns seres tendem a ter mais sorte que outros ou porque é que uns têm de lutar mais que outros… mas sei que quem luta todos os dias para colocar comida nos pratos de quem deles depende, precisa de algo mais que a ciência pode dar… precisa de fé!

Não acredito que tudo se resuma a caos, dentro da ordem… daquilo que retrata o livro, já eu tinha conhecimento, segui e li sobre anti-matéria e a tentativa de recriar em tubos de ensaio a sopa primordial, mas no fim aquilo que o personagem explica, resume muito bem aquilo em que acredito.

“… os códigos não aparecem organicamente, têm de ser criados…”

E no inicio, bem no inicio daquilo que chamamos vida apareceu um código que é comum a todos os seres, apareceu o ADN e se ele têm de ser criado… algo ou alguém o fez! E isso ciência nenhuma consegue ainda explicar!

Por isso nesta época, lembrem-se daquilo que ela representa… e tentem, pelo menos tentem manter a fé viva no vosso coração!

Feliz Natal.

Namasté _()_

 

Vamos todos parar por um segundo!

fiuzaVivemos num estado de direito, dizem…onde a censura foi banida, ou assim se acredita… onde as opiniões são respeitadas, não é isso? Num estado onde existe direitos iguais…onde se respeitam ideais… onde se é respeitado. Ainda bem que o coelhinho vai com o Pai Natal ao circo!

Num país com anos de tradição… que se encontra a saque, porque metemos a viola no saco e nos escondemos por detrás do politicamente correcto, do parecer bem.

Eu juro que jurei a mim mesma (eina devo estar mais fodida do que aquilo que pensava para usar este tipo de frase) que não ia comentar, falar, pensar ou mesmo ler sobre esta fantochada que foram estas eleições! Fodasse mas não aguento, não dá! Não é possível ver tanto estúpido junto a defender o que não é defensável e ficar calada.

Estou literalmente exausta dos intelectualmente estúpidos, dos meninos de “coiro”, dos coirões escondidos por detrás de frases feitas, por uns quantos iluminados bacocos que se acham o supra sumo da coca cola no deserto, eu disse e digo outra vez, no deserto bebemos água…

Eu confesso que até acho graça a estes novos defensores da liberdade de expressão… se dizemos que aquela gosta de lamber o corredor a pano, somos homofóbicos, mas se por outro lado disser que gosto que me saltem a espinha já não tenho de impor as minhas preferenciais sexuais, se eu disser que gosto de ser branca sou radicalista da direita… mas se por outro lado alguém disser que gosta de ser preto é minoria… fodasse cresçam caralho o mundo não é preto e branco. Não pode haver porque vos interessa dualidades de opinião.

Não sou obrigada a gostar da nova radicalista feminina, que gagueja as quartas e sextas, não tenho de a apoiar, não tenho de a aceitar e não tenho de lhe desculpar deficiência nenhuma e muito menos tenho de aceitar uma racista guineense a festejar o facto de estar a ter voto no filha da puta do MEU PAÍS… não gostam da minha forma de pensar? Comam só o arroz! Isso faz de mim extrema direita? A sério? Faz de mim a rainha do Kilombo? A sério que se vão agarrar à historia só porque vos convém?

Querem falar de racismo? Tirem o cú do sofá e vão viver e trabalhar para um país africano e depois falamos disso… no entretanto podem meter as vossas opiniões, e o vosso politicamente correcto pelo cú acima! O africano é o povo mais racista, não é com os brancos que foram para lá para roubar as riquezas do povo, mas com eles mesmos e vêm a mim falar de racismo? Fodasse a mim?

Vão se foder mais os vossos liberalismos, vão se literalmente foder com os vossos direitos a liberdade de expressão, é o meu país caralho aqui falo como EU QUISER e quem não quiser não come! Já bastou viver anos num país que quando o PR saia à rua nem mexer me podia porque podia levar um tiro no meio dos cornos!E lá não havia subsídios bebê, ou trabalhavas e pagavas as tuas contas, ou levavas um 24/20. Ou seja enfiavam-te literalmente no avião com a roupa que trazias no pelo… coitadinhos não é? Pobre povo sofredor.

Vêm agora pãezinhos de leite tentar ensinar-me a mim o que é o racismo? A mim caralho a sério? Meninos que saíram da faculdade e que se acham com direitos e valores sem nunca terem  tido deveres e sem nunca terem provado o valor à sociedade!

Vocês metem-me nojo!

 

 

 

Como se castra um “macho latino” em 3…2…1

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Certas coisas irritam-me… o café frio é uma delas por exemplo, a má educação outra… mas mais que isso irrita-me os homens que se acham engraçados e com a ideia (vá-se lá saber porquê) que estão acima dos outros.

O engraçado é que parece que eu tenho tendência a puxar esse tipo de gente, talvez me caiba a mim ser responsável pela dose de humildade daquele instante.

Eis o que me aconteceu hoje:

” Vendedor: Posso falar com os patrões?
– Mãe: Bom dia, e o senhor é?
– Vendedor: eu sou patrão!
– Mãe: desta loja não é com certeza, mas o que deseja?
– Vendedor: é que tenho uma marca de roupa muito boa para mostrar!
– Mãe: mas aí não é com os patrões, pode ser com a responsável da loja ou não? É com aquela menina ali (aka Utena Maria)
– Utena Maria: Pode ser comigo ou contigo, agora esta não é forma de entrar numa loja, primeiro apresenta-se e diz ao que vêm e só depois pede para falar com o responsável ou não?
-Vendedor estica da mão e diz com ar de gozo: Ora muito prazer, fulano de tal presidente da república reformado!
– Utena Maria sorri e responde: Utena Maria ministra das finanças que não têm interesse nenhum em trabalhar com presidentes reformados.
– Vendedor: ando nisto há mais de 30 anos e nunca me chamaram a atenção
-Utena Maria com ar de gozo: bem há sempre uma primeira vez!”

Mais blá blá menos blá blá escusado será dizer que não só não venderam nada como ainda saíram daqui com o rabo entre as pernas.

A sério eu sei que as vendas estão más, que o negócio não é fácil e é exigido uma postura dura… mas assim amigos? Assim não vão mesmo a lado nenhum

Namasté _()_

 

Cenas que não entendo

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Eu não sou contra as greves, acho que são um mal necessário, uma forma de reivindicação, um direito adquirido, numa altura que o povo ainda tinha tomates para defender os seus direitos. Agora? Bem agora é o que é!

Agora o que eu não suporto são alarmismos, facilidade de mexer com a mente das pessoas de forma a dividir para conquistar aqueles que independentemente da altura que vivemos deveriam estar unidos.

Uma das que não entendo é a greve dos “condutores de veículos pesados de matérias perigosos” que a decorrer a 12 de Agosto já fez correr mais tinta que o mergulho do microfone do CM patrocinado pelo CR.

Atenção, eu estou a favor da luta, mas expliquem-me como se eu fosse MUITO BURRA, eles estão a lutar pelos direitos e o governo em vez de proteger o bem-estar da população, aconselha a mesma a precaver-se e a encher bidões com combustível? E PIOR é a malta ir na conversa. Quer dizer a não ser que eu esteja a ver um filme Pixar e esta merda seja a Disney, isto não é para afectar o Governo e obrigar a negociações? E se assim é em vez da população se unir e lutar por igualdade e por melhor condição de vida faz o quê? Gasta ainda mais dinheiro a encher depósitos e garrafões? A esta altura o aumento dos impostos só no final deste mês é exponencial e o governo da geringonça ainda se está a rir à nossa pala.

Deixa de haver forma de ir trabalhar não se vai! PARA TUDO? Que pare caraças pode ser que assim este país de grandes conquistadores torne a descobrir em altura das conquistas perdeu os tomates.

Namasté _()_

Voltinhas do Marão

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O fantástico mundo virtual tem sempre de ter as suas lutas e indignações, as suas discussões empolgadas que faz lembrar aqueles cães que ladram um para o outro, cegos pela raiva até o portão abrir e eles acharem que se calhar é melhor não esticar mais a corda.

Ultimamente têm sido a cor da pele das personagens míticas ou não tanto, que tem azedado o pessoal, começou pela Hermíone, famosa e mítica “bruxa” do reino “Potteriano” que dos ecrãs do cinema, para os palcos do teatro sofreu um bronzeado agressivo e dificilmente aceite pelos doutores da dermatologia. Na altura achei uma certa graça confesso, até porque numa descrição livre dos textos de J.K Rowling, a pequena e famosa bruxa poderia derivar para os dois lados. Não me pareceu escandalosa a escolha, aliás não me aqueceu nem arrefeceu, sempre fui amante dos livros em detrimento dos filmes, nada bate a imaginação, pelo menos no meu caso.

Agora quando o caso passa por outras personagens, desculpem-me mas tenho de torcer o nariz, pegar em personagens como a pequena sereia, e torna-la afro descendente? Por que carga de água? Mas esta tudo doido? Bebeu tudo a poção do “politicamente correcto defensor das minorias inexistentes?” a ver se nos entendemos a pequena sereia é um conto original de Hans Christian Andersen, um escritor de estórias infantis dinamarquês… quer dizer já não bastava a Disney dourar a pílula de uma estória macabra, já que os contadores de estórias infantis, não eram propriamente fãs de finais felizes, como agora querem pegar num conto com mais de 100 anos e mudar. Porquê? Ora cá está uma coisa que não faz sentido absolutamente nenhum. O que será que se vai fazer a seguir? A Branca de Neve que por acaso é germânica vai passar a ser japonesa e a Mulan, iraniana e já agora o Dumbo, vamos tornar o Dumbo, uma girafa e quem disse que o Simba tem de ser leão, e as minorias da selva? Quem lhe deu o direito de ser chamado Rei da Selva? Manias fascistas desta raça… o Simba vai passar a ser uma zebra… ah R-I-D-I-C-U-L-O? É né? Mas só naquilo que vos interessa e não naquilo que vos faz mais jeito, só naquela de parecer bem.

Como se não bastasse, passamos agora para Hollywood e pegamos no mais carismático “Playboy” do cinema e não só lhe mudamos a cor, o que para mim é tanto faz como tanto fez, como lhe mudamos o sexo. Ou seja o famoso senhor do Martini, agitado mas não mexido passa a ser uma gaja, sim uma GAJA, já que para manter a linha de pensamento e o modelo de acção da personagem a moça não só vai comer tudo o que mexe, como ainda vai andar por aí a fazer olhinhos a todos os pares de calças que encontra, e o que fazer com a Miss Moneypenny, passa a ser um secretário, porque parte da trama está envolvida na tensão sexual mal resolvida entre os dois, BTW a Moneypenny de Skyfall era de raça negra (ah oh para mim a ser politicamente correcta), e não houve fanfanfan a pala disso ou houve?

A seguir a linha de pensamento, quero um filme do Blade mas em vez de ele ser um vampiro híbrido preto (sim preto, negros eram os escravos), pode ser um irlandês ruivo com sardas… ah e o Conde Drácula um Chinês ao estilo de Jet Li… já agora a heroína Lara Croft tem de ser uma Hindu e as cenas de luta em artes de Bollywood, e já que estamos numa de sermos parvos não se esqueçam de quando fizerem um filme em homenagem a Padeira de Aljubarrota de a fazerem espanhola, quer dizer…temos de considerar não ofender ninguém… só porque que sim, porque hoje em dia o politicamente correcto é a capacidade de renunciar o seu próprio critério para conseguir a falsa aceitação de uma cambada de imbecis.

E eu? Eu já passei a fase de os agradar 😉

Namasté _()_

Numa época de licenciados somos todos doutorados na universidade da vida

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Quando iniciei o meu percurso profissional, apercebi-me do poder que tem um adjectivo antes do nome, aliás muitas das vezes a única forma de perderem 5 minutos do seu e do meu tempo, para resolverem um assunto importante para ambas as partes era se me anunciasse como Dra. Se sou ou não, não é algo que vem ao acaso, já que para mim doutores são aqueles que andam de bata branca e estetoscópio ao pescoço, ideias minhas que podem ou não concordar, aqui o que se coloca é que só és alguém se fores doutor.

Um exemplo? Aqui a uns tempos estava na loja e entrou uma senhora, ora como as conversas são como as cerejas a nossa foi-se desviando e acabou num tema qualquer, que nada tinha a ver com trapos, tempo ou cor da moda. A senhora ficou muito escandalizada, como ela disse “nunca pensei que uma vendedora, tivesse tanto conhecimento”, porque obviamente coisas como inteligência, vontade de aprender ou curiosidade construtiva é algo que pertence aos doutorados. Só que não.

No meu percurso profissional, já tive alguns e bastante diversos, dei por mim a constatar certos factos, como os bancos querem colocar Doutor Fulano nos cartões MB ou Visa, só porque sim, esses mesmos bancários a descuidar outros clientes, muitos deles com bastantes mais capacidades (monetárias ou não) que os outros, mas como não sou Doutores passam a ser “clientes de segunda” e isso leva a que os Doutores da Faculdade da Vida se achem acima dos outros. A culpa é deles? Não a culpa é desta mentalidade de esgoto que se não tens canudo não és ninguém, canudo esse que numa sociedade com licenciados a mais e capacidades a menos bem o podes enfiar no cú.

É preciso voltar aos aprendizes, ao saber arranjar, é preciso e obrigatório voltar a dar valor a quem trabalha com as mãos, os sapateiros, costureiras, electricistas, mecânicos, varredores de rua…pessoas reais que na realidade do seu trabalho são indispensáveis ao meu e ao teu dia-a-dia. E mais que isso é preciso assimilar de uma vez que não é apenas a faculdade que te faz ser médico, advogado ou juiz, mas o teu dom, a tua aptidão, ter licenciados do que for, a exercer uma profissão que não gostam, porque lhes foi incutido que só assim são válidos é ter maus profissionais, mais que isso é ter gente infeliz, que vive para o fim do dia, o término da semana… que vive a pensar no dia que se vai reformar.

Todas as profissões são válidas, todas as artes são necessárias, que adiante ter um médico cuja vocação era ser sapateiro? A disponibilidade financeira para se ter um curso não faz de nós bons profissionais, faz de nós seres infelizes, por isso tanta gente vive num mundo virtual de doutoramentos da vida, onde fingimos ser felizes numa sociedade plástica de sonhos destruídos.

A mudança é assustadora, eu sei que sim, mas se não ocorrer, se não tivermos força para dar aquele pequeno passo em direcção ao desconhecido, mais assustador é vivê-la e ser infeliz não será?

Larguem os títulos que não vos serve de nada e percam 15 minutos a pensar no que realmente gostam de fazer, no que vos dá prazer, naquilo que vos faria acordar com um sorriso na cara, (mas façam-no de forma realista) e depois? Depois corram atrás, nunca é tarde para se correr atrás de um sonho, mesmo que esse sonho vos pareça insignificante, porque nós não viemos definitivamente ao mundo para trabalhar e pagar contas, nós viemos para viver!

Namasté _()_

Geração do Buzz Ligthyear… “To infinity… and beyond!”

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Somos uma sociedade de manifestações, de causas humanitárias, de bonzinhos preocupados com o futuro que se avizinha, desde de que não tenhamos muito trabalho ou então que as mesmas causem impacto e criem indignação. Se eu for realista e verdadeira, na realidade é uma sociedade de petições, assinamos umas quantas postamos nas redes sociais e seguimos caminho, convictos que fizemos o possível e o impossível para melhorar a nossa e a vida dos nossos.

Eu considero esta sociedade de rebeldes indignados, a geração do Buzz Ligthyear… “To infinity… and beyond!”… Mas na realidade o pobre coitado nem voar conseguia quanto mais ir mais além do infinito, mas nós achamos que fazemos diferença com postagens indignadas e inflamadas, que somos candidatos ao prémio Nobel porque uma frase de ir ao cú teve 200 likes e 20 partilhas… hurray para nós… somos conscientes do que nos rodeia e estamos a agir para mudar o mundo.

Cresçam, a sério, ganhem espinha dorsal e deixem-se de merdas, não são bloqueios em páginas de tourada que vai fazer o mundo deixar de maltratar os animais, não são partilhas de cães e gatos, abandonados, famintos, destroçados que vai travar o seu abandono. Não és o super-herói se depois não ages, se te afastas de um animal de rua porque está sujo… não te digo que os deves levar a todos para casa, mas age caraças, deixa água na rua, comida numa taça… dá 10 minutos do teu tempo numa instituição! Dá muito trabalho não dá?

Não são os 0.50€ que gastas numa pulseira a dizer “equipa de fulana” que vai fazer com que a medicina e o lobby da Infarmed, mude no país. Não é o facto de te comoveres com os vídeos das mulheres e homens que lutam todos os dias para puder sobreviver a doenças que já deveriam ter cura que te faz médico de uma medicina podre e desgastada. É o facto de questionares actos e medidas… mais uma vez sai da redoma de vidro onde vives e vai 5 minutos a uma unidade hospitalar, ver como lutam os seus ocupantes, doentes e médicos, auxiliares e enfermeiros, que tantas vezes se vêem de mãos e pés atados sem força para salvar aqueles que os procuram todos os dias. Mas é mais fácil criticar os gajos… chulos a fazer greve… ganham que se fartam e ainda reclamam…

Acreditas mesmo que não és homofóbico por ires festejar as paradas LGBT? Por te mascarares de mente aberta? Se depois criticas por detrás do monitor do teu PC  o seu direito de casar, de adoptar, de ter uma vida normal, que admira-te é apenas e só o seu direito? Achas mesmo seu falso de merda que se todos se vestissem de branco saberias identificar os que são dos que não são?

Sim, na verdade somos uma sociedade de petições postadas, de manifestações falsas e bacocas, de mentalidades fechadas e tacanhas… de publicidades pequenas e vazias… de vida mesquinha, oca de sentimentos que me faz ponderar seriamente até que ponto nos pudemos realmente chamar humanos…

Namasté _()_