Como se castra um “macho latino” em 3…2…1

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Certas coisas irritam-me… o café frio é uma delas por exemplo, a má educação outra… mas mais que isso irrita-me os homens que se acham engraçados e com a ideia (vá-se lá saber porquê) que estão acima dos outros.

O engraçado é que parece que eu tenho tendência a puxar esse tipo de gente, talvez me caiba a mim ser responsável pela dose de humildade daquele instante.

Eis o que me aconteceu hoje:

” Vendedor: Posso falar com os patrões?
– Mãe: Bom dia, e o senhor é?
– Vendedor: eu sou patrão!
– Mãe: desta loja não é com certeza, mas o que deseja?
– Vendedor: é que tenho uma marca de roupa muito boa para mostrar!
– Mãe: mas aí não é com os patrões, pode ser com a responsável da loja ou não? É com aquela menina ali (aka Utena Maria)
– Utena Maria: Pode ser comigo ou contigo, agora esta não é forma de entrar numa loja, primeiro apresenta-se e diz ao que vêm e só depois pede para falar com o responsável ou não?
-Vendedor estica da mão e diz com ar de gozo: Ora muito prazer, fulano de tal presidente da república reformado!
– Utena Maria sorri e responde: Utena Maria ministra das finanças que não têm interesse nenhum em trabalhar com presidentes reformados.
– Vendedor: ando nisto há mais de 30 anos e nunca me chamaram a atenção
-Utena Maria com ar de gozo: bem há sempre uma primeira vez!”

Mais blá blá menos blá blá escusado será dizer que não só não venderam nada como ainda saíram daqui com o rabo entre as pernas.

A sério eu sei que as vendas estão más, que o negócio não é fácil e é exigido uma postura dura… mas assim amigos? Assim não vão mesmo a lado nenhum

Namasté _()_

 

Vamos todos parar por um segundo!

fiuzaVivemos num estado de direito, dizem…onde a censura foi banida, ou assim se acredita… onde as opiniões são respeitadas, não é isso? Num estado onde existe direitos iguais…onde se respeitam ideais… onde se é respeitado. Ainda bem que o coelhinho vai com o Pai Natal ao circo!

Num país com anos de tradição… que se encontra a saque, porque metemos a viola no saco e nos escondemos por detrás do politicamente correcto, do parecer bem.

Eu juro que jurei a mim mesma (eina devo estar mais fodida do que aquilo que pensava para usar este tipo de frase) que não ia comentar, falar, pensar ou mesmo ler sobre esta fantochada que foram estas eleições! Fodasse mas não aguento, não dá! Não é possível ver tanto estúpido junto a defender o que não é defensável e ficar calada.

Estou literalmente exausta dos intelectualmente estúpidos, dos meninos de “coiro”, dos coirões escondidos por detrás de frases feitas, por uns quantos iluminados bacocos que se acham o supra sumo da coca cola no deserto, eu disse e digo outra vez, no deserto bebemos água…

Eu confesso que até acho graça a estes novos defensores da liberdade de expressão… se dizemos que aquela gosta de lamber o corredor a pano, somos homofóbicos, mas se por outro lado disser que gosto que me saltem a espinha já não tenho de impor as minhas preferenciais sexuais, se eu disser que gosto de ser branca sou radicalista da direita… mas se por outro lado alguém disser que gosta de ser preto é minoria… fodasse cresçam caralho o mundo não é preto e branco. Não pode haver porque vos interessa dualidades de opinião.

Não sou obrigada a gostar da nova radicalista feminina, que gagueja as quartas e sextas, não tenho de a apoiar, não tenho de a aceitar e não tenho de lhe desculpar deficiência nenhuma e muito menos tenho de aceitar uma racista guineense a festejar o facto de estar a ter voto no filha da puta do MEU PAÍS… não gostam da minha forma de pensar? Comam só o arroz! Isso faz de mim extrema direita? A sério? Faz de mim a rainha do Kilombo? A sério que se vão agarrar à historia só porque vos convém?

Querem falar de racismo? Tirem o cú do sofá e vão viver e trabalhar para um país africano e depois falamos disso… no entretanto podem meter as vossas opiniões, e o vosso politicamente correcto pelo cú acima! O africano é o povo mais racista, não é com os brancos que foram para lá para roubar as riquezas do povo, mas com eles mesmos e vêm a mim falar de racismo? Fodasse a mim?

Vão se foder mais os vossos liberalismos, vão se literalmente foder com os vossos direitos a liberdade de expressão, é o meu país caralho aqui falo como EU QUISER e quem não quiser não come! Já bastou viver anos num país que quando o PR saia à rua nem mexer me podia porque podia levar um tiro no meio dos cornos!E lá não havia subsídios bebê, ou trabalhavas e pagavas as tuas contas, ou levavas um 24/20. Ou seja enfiavam-te literalmente no avião com a roupa que trazias no pelo… coitadinhos não é? Pobre povo sofredor.

Vêm agora pãezinhos de leite tentar ensinar-me a mim o que é o racismo? A mim caralho a sério? Meninos que saíram da faculdade e que se acham com direitos e valores sem nunca terem  tido deveres e sem nunca terem provado o valor à sociedade!

Vocês metem-me nojo!

 

 

 

Cenas que não entendo

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Eu não sou contra as greves, acho que são um mal necessário, uma forma de reivindicação, um direito adquirido, numa altura que o povo ainda tinha tomates para defender os seus direitos. Agora? Bem agora é o que é!

Agora o que eu não suporto são alarmismos, facilidade de mexer com a mente das pessoas de forma a dividir para conquistar aqueles que independentemente da altura que vivemos deveriam estar unidos.

Uma das que não entendo é a greve dos “condutores de veículos pesados de matérias perigosos” que a decorrer a 12 de Agosto já fez correr mais tinta que o mergulho do microfone do CM patrocinado pelo CR.

Atenção, eu estou a favor da luta, mas expliquem-me como se eu fosse MUITO BURRA, eles estão a lutar pelos direitos e o governo em vez de proteger o bem-estar da população, aconselha a mesma a precaver-se e a encher bidões com combustível? E PIOR é a malta ir na conversa. Quer dizer a não ser que eu esteja a ver um filme Pixar e esta merda seja a Disney, isto não é para afectar o Governo e obrigar a negociações? E se assim é em vez da população se unir e lutar por igualdade e por melhor condição de vida faz o quê? Gasta ainda mais dinheiro a encher depósitos e garrafões? A esta altura o aumento dos impostos só no final deste mês é exponencial e o governo da geringonça ainda se está a rir à nossa pala.

Deixa de haver forma de ir trabalhar não se vai! PARA TUDO? Que pare caraças pode ser que assim este país de grandes conquistadores torne a descobrir em altura das conquistas perdeu os tomates.

Namasté _()_

Voltinhas do Marão

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O fantástico mundo virtual tem sempre de ter as suas lutas e indignações, as suas discussões empolgadas que faz lembrar aqueles cães que ladram um para o outro, cegos pela raiva até o portão abrir e eles acharem que se calhar é melhor não esticar mais a corda.

Ultimamente têm sido a cor da pele das personagens míticas ou não tanto, que tem azedado o pessoal, começou pela Hermíone, famosa e mítica “bruxa” do reino “Potteriano” que dos ecrãs do cinema, para os palcos do teatro sofreu um bronzeado agressivo e dificilmente aceite pelos doutores da dermatologia. Na altura achei uma certa graça confesso, até porque numa descrição livre dos textos de J.K Rowling, a pequena e famosa bruxa poderia derivar para os dois lados. Não me pareceu escandalosa a escolha, aliás não me aqueceu nem arrefeceu, sempre fui amante dos livros em detrimento dos filmes, nada bate a imaginação, pelo menos no meu caso.

Agora quando o caso passa por outras personagens, desculpem-me mas tenho de torcer o nariz, pegar em personagens como a pequena sereia, e torna-la afro descendente? Por que carga de água? Mas esta tudo doido? Bebeu tudo a poção do “politicamente correcto defensor das minorias inexistentes?” a ver se nos entendemos a pequena sereia é um conto original de Hans Christian Andersen, um escritor de estórias infantis dinamarquês… quer dizer já não bastava a Disney dourar a pílula de uma estória macabra, já que os contadores de estórias infantis, não eram propriamente fãs de finais felizes, como agora querem pegar num conto com mais de 100 anos e mudar. Porquê? Ora cá está uma coisa que não faz sentido absolutamente nenhum. O que será que se vai fazer a seguir? A Branca de Neve que por acaso é germânica vai passar a ser japonesa e a Mulan, iraniana e já agora o Dumbo, vamos tornar o Dumbo, uma girafa e quem disse que o Simba tem de ser leão, e as minorias da selva? Quem lhe deu o direito de ser chamado Rei da Selva? Manias fascistas desta raça… o Simba vai passar a ser uma zebra… ah R-I-D-I-C-U-L-O? É né? Mas só naquilo que vos interessa e não naquilo que vos faz mais jeito, só naquela de parecer bem.

Como se não bastasse, passamos agora para Hollywood e pegamos no mais carismático “Playboy” do cinema e não só lhe mudamos a cor, o que para mim é tanto faz como tanto fez, como lhe mudamos o sexo. Ou seja o famoso senhor do Martini, agitado mas não mexido passa a ser uma gaja, sim uma GAJA, já que para manter a linha de pensamento e o modelo de acção da personagem a moça não só vai comer tudo o que mexe, como ainda vai andar por aí a fazer olhinhos a todos os pares de calças que encontra, e o que fazer com a Miss Moneypenny, passa a ser um secretário, porque parte da trama está envolvida na tensão sexual mal resolvida entre os dois, BTW a Moneypenny de Skyfall era de raça negra (ah oh para mim a ser politicamente correcta), e não houve fanfanfan a pala disso ou houve?

A seguir a linha de pensamento, quero um filme do Blade mas em vez de ele ser um vampiro híbrido preto (sim preto, negros eram os escravos), pode ser um irlandês ruivo com sardas… ah e o Conde Drácula um Chinês ao estilo de Jet Li… já agora a heroína Lara Croft tem de ser uma Hindu e as cenas de luta em artes de Bollywood, e já que estamos numa de sermos parvos não se esqueçam de quando fizerem um filme em homenagem a Padeira de Aljubarrota de a fazerem espanhola, quer dizer…temos de considerar não ofender ninguém… só porque que sim, porque hoje em dia o politicamente correcto é a capacidade de renunciar o seu próprio critério para conseguir a falsa aceitação de uma cambada de imbecis.

E eu? Eu já passei a fase de os agradar 😉

Namasté _()_

Numa época de licenciados somos todos doutorados na universidade da vida

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Quando iniciei o meu percurso profissional, apercebi-me do poder que tem um adjectivo antes do nome, aliás muitas das vezes a única forma de perderem 5 minutos do seu e do meu tempo, para resolverem um assunto importante para ambas as partes era se me anunciasse como Dra. Se sou ou não, não é algo que vem ao acaso, já que para mim doutores são aqueles que andam de bata branca e estetoscópio ao pescoço, ideias minhas que podem ou não concordar, aqui o que se coloca é que só és alguém se fores doutor.

Um exemplo? Aqui a uns tempos estava na loja e entrou uma senhora, ora como as conversas são como as cerejas a nossa foi-se desviando e acabou num tema qualquer, que nada tinha a ver com trapos, tempo ou cor da moda. A senhora ficou muito escandalizada, como ela disse “nunca pensei que uma vendedora, tivesse tanto conhecimento”, porque obviamente coisas como inteligência, vontade de aprender ou curiosidade construtiva é algo que pertence aos doutorados. Só que não.

No meu percurso profissional, já tive alguns e bastante diversos, dei por mim a constatar certos factos, como os bancos querem colocar Doutor Fulano nos cartões MB ou Visa, só porque sim, esses mesmos bancários a descuidar outros clientes, muitos deles com bastantes mais capacidades (monetárias ou não) que os outros, mas como não sou Doutores passam a ser “clientes de segunda” e isso leva a que os Doutores da Faculdade da Vida se achem acima dos outros. A culpa é deles? Não a culpa é desta mentalidade de esgoto que se não tens canudo não és ninguém, canudo esse que numa sociedade com licenciados a mais e capacidades a menos bem o podes enfiar no cú.

É preciso voltar aos aprendizes, ao saber arranjar, é preciso e obrigatório voltar a dar valor a quem trabalha com as mãos, os sapateiros, costureiras, electricistas, mecânicos, varredores de rua…pessoas reais que na realidade do seu trabalho são indispensáveis ao meu e ao teu dia-a-dia. E mais que isso é preciso assimilar de uma vez que não é apenas a faculdade que te faz ser médico, advogado ou juiz, mas o teu dom, a tua aptidão, ter licenciados do que for, a exercer uma profissão que não gostam, porque lhes foi incutido que só assim são válidos é ter maus profissionais, mais que isso é ter gente infeliz, que vive para o fim do dia, o término da semana… que vive a pensar no dia que se vai reformar.

Todas as profissões são válidas, todas as artes são necessárias, que adiante ter um médico cuja vocação era ser sapateiro? A disponibilidade financeira para se ter um curso não faz de nós bons profissionais, faz de nós seres infelizes, por isso tanta gente vive num mundo virtual de doutoramentos da vida, onde fingimos ser felizes numa sociedade plástica de sonhos destruídos.

A mudança é assustadora, eu sei que sim, mas se não ocorrer, se não tivermos força para dar aquele pequeno passo em direcção ao desconhecido, mais assustador é vivê-la e ser infeliz não será?

Larguem os títulos que não vos serve de nada e percam 15 minutos a pensar no que realmente gostam de fazer, no que vos dá prazer, naquilo que vos faria acordar com um sorriso na cara, (mas façam-no de forma realista) e depois? Depois corram atrás, nunca é tarde para se correr atrás de um sonho, mesmo que esse sonho vos pareça insignificante, porque nós não viemos definitivamente ao mundo para trabalhar e pagar contas, nós viemos para viver!

Namasté _()_

Geração do Buzz Ligthyear… “To infinity… and beyond!”

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Somos uma sociedade de manifestações, de causas humanitárias, de bonzinhos preocupados com o futuro que se avizinha, desde de que não tenhamos muito trabalho ou então que as mesmas causem impacto e criem indignação. Se eu for realista e verdadeira, na realidade é uma sociedade de petições, assinamos umas quantas postamos nas redes sociais e seguimos caminho, convictos que fizemos o possível e o impossível para melhorar a nossa e a vida dos nossos.

Eu considero esta sociedade de rebeldes indignados, a geração do Buzz Ligthyear… “To infinity… and beyond!”… Mas na realidade o pobre coitado nem voar conseguia quanto mais ir mais além do infinito, mas nós achamos que fazemos diferença com postagens indignadas e inflamadas, que somos candidatos ao prémio Nobel porque uma frase de ir ao cú teve 200 likes e 20 partilhas… hurray para nós… somos conscientes do que nos rodeia e estamos a agir para mudar o mundo.

Cresçam, a sério, ganhem espinha dorsal e deixem-se de merdas, não são bloqueios em páginas de tourada que vai fazer o mundo deixar de maltratar os animais, não são partilhas de cães e gatos, abandonados, famintos, destroçados que vai travar o seu abandono. Não és o super-herói se depois não ages, se te afastas de um animal de rua porque está sujo… não te digo que os deves levar a todos para casa, mas age caraças, deixa água na rua, comida numa taça… dá 10 minutos do teu tempo numa instituição! Dá muito trabalho não dá?

Não são os 0.50€ que gastas numa pulseira a dizer “equipa de fulana” que vai fazer com que a medicina e o lobby da Infarmed, mude no país. Não é o facto de te comoveres com os vídeos das mulheres e homens que lutam todos os dias para puder sobreviver a doenças que já deveriam ter cura que te faz médico de uma medicina podre e desgastada. É o facto de questionares actos e medidas… mais uma vez sai da redoma de vidro onde vives e vai 5 minutos a uma unidade hospitalar, ver como lutam os seus ocupantes, doentes e médicos, auxiliares e enfermeiros, que tantas vezes se vêem de mãos e pés atados sem força para salvar aqueles que os procuram todos os dias. Mas é mais fácil criticar os gajos… chulos a fazer greve… ganham que se fartam e ainda reclamam…

Acreditas mesmo que não és homofóbico por ires festejar as paradas LGBT? Por te mascarares de mente aberta? Se depois criticas por detrás do monitor do teu PC  o seu direito de casar, de adoptar, de ter uma vida normal, que admira-te é apenas e só o seu direito? Achas mesmo seu falso de merda que se todos se vestissem de branco saberias identificar os que são dos que não são?

Sim, na verdade somos uma sociedade de petições postadas, de manifestações falsas e bacocas, de mentalidades fechadas e tacanhas… de publicidades pequenas e vazias… de vida mesquinha, oca de sentimentos que me faz ponderar seriamente até que ponto nos pudemos realmente chamar humanos…

Namasté _()_

My lullaby

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O sonoro “bang” que resultou da força bruta ao fechar o portão de ferro, foi a única coisa que fez Anaisa despertar do seu torpor. Fechando os olhos e entre suspiros pensou:

“ Não sei o que é mais assustador, se o dia que entrei… se hoje que estou a sair” – olhou ao redor, inconscientemente desejava ter alguém que a esperasse neste dia… realisticamente sabia que isso não iria acontecer. Sozinha, sempre assim tinha sido, sempre assim iria ser… momentos de instantânea e momentânea felicidade não iria mudar isso – “esquece isso Anaisa, quanto mais depressa o fizeres mais depressa voltas à tua rotina. “ e com esse pensamento lá foi caminhando até à estação mais próxima… voltar a rotina, voltar a sua cidade… voltar para o único lar que conhecia… para as memórias que dilaceram a alma e que foram as únicas que a mantiveram sã nos 3 anos que esteve presa.

O mundo muda, a vida avança, era esse o pensamento que ia tendo enquanto esperava pelo transporte de regresso, fechou os olhos e deixou as memórias flutuarem até a superfície:

“Sempre tinha sido uma criança estranha, indesejada por assim dizer, não era estranha a sensação de fome ou frio, mas era dura, a vida tinha-lhe ensinado isso, a sua melhor defesa era a camuflagem, se não a ouvissem, nem a vissem não lhe podiam bater, pelo menos durante o tempo que era pequena demais para se defender. Duas pessoas olharam para ela e não através dela, uma foi a dura Carolina, deu-lhe duas hipóteses quando a apanhou a roubar a fruta no seu quintal, ou pagava pelo que comia, ou então não tinha dentes para comer… sinceramente? A primeira era muito mais tentadora… com ela aprendeu a ler, as letras e as estações, aprendeu a depender apenas dela, a lutar para se defender… e se ela tinha orgulho dessa capacidade, tenacidade, força e inteligência como dizia Carolina, combinações letais que faziam de Anaisa temida e ignorada na pequena comunidade, não que isso a incomodasse, se não a ouvissem ou a vissem, não tinha de se defender, não tinha de lutar para isso!”

– Passageiros para o autocarro 12 – Berrou o revisor! Anaisa abriu os olhos e levantou-se, a postura da lutadora ainda lá estava, por detrás do cansaço de alguém que sabe que a vida nem sempre nos trata justamente… “ah no meu caso é que nunca o faz, mas desisti de ter pena de mim há muitos anos atrás!”

Depois de se sentar no seu lugar, e de deixar abater sobre os ombros o conhecimento que tinha de reconstruir a vida novamente, é que abriu a carta que Carolina lhe enviou, a casa era dela, dizia-lhe, não queria conversa, nem argumentos, nem discussão, ela era a filha que nunca teve e por isso iria aceitar a casa como reconhecimento disso mesmo… mais uma coisa roubada nos 3 anos que passou encarcerada, não conseguiu despedir-se da mulher que mais coisas lhe tinha ensinado… “Tenho muito orgulho em ti Anaisa, seres presa por defenderes alguém não é vergonhoso… é algo que deves encarar com orgulho” – “Belo orgulho” – pensou Anaisa… “orgulhosamente fodida isso é que é uma bela coisa!”

Foi a meio da viagem de regresso, enquanto pagava uma sandes de salmão fumado, que a memória da segunda pessoa que a viu realmente lhe assolou a mente… “Caio… Caio dos cabelos dourados e olhar castanho mel… o tropa prodígio que regressou a casa depois de serviço cumprido… Caio do olhar carregado de pensamentos sombrios, que viu mais do que aquilo que queria mostrar.”

Os seus caminhos tinham tudo para nunca se cruzarem, não fosse os pesadelos vividos de cada um que por serem tão díspares um do outro fazia tanto sentido juntos… Anaisa fugiu dos destino “com toda a força do meu ser” – pensou enquanto olhava a chuva que caia na estrada lá fora – “mas ele era teimoso demais”

Não demorou muito para se apaixonarem, o herói e a indesejada da localidade, ele não queria saber, mas Anaisa estava consciente demais que nada na sua vida vinha sem um preço alto a ser pago, mas os passeios ao luar, as conversas ao som dos grilos na solitude da floresta, quando o toda a gente dormia e o mundo parava, esses momentos faziam com que se esquecesse das preocupações e com que fosse feliz – “realmente feliz, foram esses momentos que me mantiveram de pé por 3 anos, ele não sabe… mas foram os seus cabelos encaracolados e a forma que me olhava enquanto entoava os meus lullabys que me mantiveram focada, me mantiveram viva!”

O sonho acabou, na tarde que tinham decidido esquecer o mundo e começar uma vida juntos, enquanto se deslocava a loja para comprar algo para o jantar, Anaisa ouviu os gritos que vinham do meio do caminho mais afastado da estrada, os 3 meninos de “bem” da localidade agarravam a moça, como se ela fosse menos que lixo… Anaisa não sabe se foi o que diziam, se foi o olhar da moça que lhe fez despertar a fúria que sentiu, mas quando parou para pensar, dois deles estavam inanimados e o terceiro tinha o pescoço partido em dois sítios – “ foi o olhar dela que me fez isso, o olhar de alguém que perdeu toda a consciência do valor que tem, o olhar de alguém que acredita piamente que não vale nada!” – o julgamento foi rápido e a sentença exemplar, mas foi o facto de não haver remorso da parte de Anaisa que assinou o auto… 10 anos de cadeia… resumida a 3 anos pela incessante luta da sua advogada e pelo bom comportamento de Anaisa.

Caio visitou-a uma única vez – “segue a tua vida e esquece que eu existo, foste uma bela distracção mas agora não vale a pena… não vales nada com esses teus pesadelos ridículos, pensas mesmo que cantava para tos acalmar? Cantava porque me metes pena, só isso!” – essa foi a última coisa que Anaisa lhe disse e a ultima noite que se deu ao desespero entre as paredes cinzentas do seu lar por 3 anos, não mais falou dele, nem as companheiras, nem a Carolina, não mais quis saber do homem de pesadelos excruciantes e de olhos dourados que por 6 gloriosos meses a fez feliz…

– Chegamos ao nosso destino – diz o conduto – pode sair, e começar a sua vida.

O sorriso que Anaisa lhe dedica é sincero, a dolorosa forma como se levanta para regressar também… suspirando fecha os olhos quando chega a porta do autocarro para sair.

“Estás pronta para recomeçar onde terminamos Anaisa?” – pergunta Caio

“Perdeste o dourado dos cabelos” – responde Anaisa quando reabre os olhos…

“Perdi, mas não perdi o som das tuas músicas, nem o gosto dos teus lábios. Por isso repito a pergunta: Estás pronta para recomeçar onde terminamos?”

“Estou… fodasse que se lixe o mundo, e o preço a pagar, já paguei o meu não já?”

E com as lágrimas nos olhos e a promessa de um futuro só deles…o mundo deixou de existir quando os lábios se tocaram.

PS: e pronto é isto que sai quando se ouve em demasia uma música em repeat. Estou de volta ou assim julgo eu.
Namasté _()_

Mentes modernas…mentalidades antigas

modernidadesO novo fonfonfon das redes sociais é isto, e para quem não quiser abrir o link eu resumo:
Nadia Bokody, uma escritora e jornalista australiana, aconselha que os pais e escolas ensinem e falem sobre a masturbação e que sejam facultados “brinquedos sexuais” aos gaiatos….e pronto instalou-se a inquisição do Séc XXI, aka redes sociais.

Pérolas abundaram, de uma forma tão nojenta que nem valerá aqui a pena falar nelas, pérolas que me levam a questionar, se o dito artigo foi de facto lido. Eu li, pelo menos para ter uma ideia da catastrofe que poderá advir de tamanha barbaridade e… admirem-se os incautos puritanos não vi assim tamanha calamidade no que diz a senhora, para mim até faz sentido.

Vamos ser sinceros e respondam, não a mim, mas interiormente, quantos de vocês se masturbam? Quantos de vocês falavam disso com os amigos e quantos tiveram dados incorrectos sobre o que na realidade é? Não! Não vos cria pelos nas palmas das mãos, nem vos dá acesso a um T0 no covil do demo, o que vai fazer é facultar o conhecimento intimo do corpo. O que irá fazer se bem aplicado é tirar dúvidas e evitar problemas graves, antecipar outros mais graves ainda. Não existe pecado no prazer, não é porco dar-nos prazer…acima de tudo ao conhecermos sensações aprendemos o que é certo ou errado para nós, como seres e como pessoas independentemente do que é supostamente certo numa sociedade moderna onde ainda impera mentalidades antigas.

Faz falta desbloquear as mentes, faz falta liberdade de vontades, de desejos, de conhecimentos. Mas principalmente faz falta esquecerem-se paradigmas antigas de ideias tacanhas onde ainda impera a ideia de que o sexo é pecado e a satisfação sexual uma artes demonica que permite as mulheres caçarem os homens em bruxarias e orgias diabolicas.

Conhecimento é poder, é ele que nos faz ter o controle, sobre o que nos rodeia mas principalmente sobre nós! Pensem nisso, e aproveitem da próxima vez que estiverem deitados para se conhecerem, seja porque estão sem sono, aborrecidas ou simplesmente porque sim 😉

Namasté _()_

 

Sobre circos… os mediáticos

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A medida que vamos envelhecendo, vamos dando por nós a pensar se valerá a pena ou não chatearmos-mos com certas situações. Se valerá a pena falarmos, expormos a nossa posição… bater em ferro frio como diriam os antigos.

Dei por mim a ponderar se deveria ou não “falar” sobre este assunto… certos temas somos mandatoriamente obrigados a concordar com as massas. Ovelhas a caminho do matadouro, temos de comer e calar e não tossir nem mugir senão corremos o risco de ser linchados em praça pública… a beleza da liberdade de expressão tem destas coisas.

Enquanto ia ponderando se falava ou não do tema, acabei por dar por mim a pensar se o facto de não o fazer não estaria a contribuir para esta sociedade vazia de vontade própria… ao não me chatear até que ponto não me torno igual a eles… a esta gente oca que segue as massas sem questionar ou ponderar o porquê. Penso que terá sido no final, o que me levou a sentar, respirar fundo e falar sobre Moçambique.

Antes de tudo deixem que vos diga que me sinto destroçada com a catástrofe, sim é um povo empobrecido, com recursos mínimos, sujeito por isso mesmo as consequências terríveis que irão advir do que sofreu… mais do que a catástrofe criada pelas cheias… será agora as maleitas e doenças que irão advir de tal situação.

Agora se concordo com o circo mediático que se está a fazer a volta disso? Isso são outros 500.

“Mas se até estiveste emigrada em Angola, não deverias ser a primeira a concordar com esta ajuda toda?” – adoro este pergunta de merda confesso!

Em primeiro lugar Angola e Moçambique tem tanto em comum como um c@ralho e um assobio… os dois servem para por a boca mas só um deles é que apita e em segundo lugar porque haveria eu em concordar com esta merda toda a volta da desgraça de um povo?

Sim têm de ir ajuda humanitária… não, não têm de ser motivo de destaque no telejornal das 20h! Sim os artistas até se podem juntar para fazer uma música ao estilo do “We are the world”…não, não tem de usar isso para auto-promoção! E sim o povo pode ser estúpido outra vez e ligar para números de chamadas de valor acrescentado (a Caixa Geral até precisa de novo investimento) …mas não, não deveria haver IVA nesse valor… não esqueçam aqui até deveria haver… a estupidez pagasse e assim até se ajuda na divida pública… nós até temos um governo eleito democraticamente e tudo, por isso é de valor essa ajuda!

No fundo nunca se sabe se com estas ajudas monetárias e de bens, enquanto se está a empacotar tudo para enviar, em aviões pagos a peso de ouro, se não se descobre onde estão as coisas que se doaram para as vítimas do incêndio em Pedrogão (ainda se lembram deles não?) e elas acabam por receber o que foi dado com tanto amor e algum sacrifício.

No meio disto tudo continuam notícias sensacionalistas, visitas despropositadas e bailaricos…mas a malta gosta é disso por isso siga a marcha…virou, a menina não paga mas também não anda!

Se você quer manter limpa a sua cidade, comece varrendo diante de sua casa.
Provérbio Chinês

Namasté _()_

Feliz um dia como outro qualquer!

maxresdefaultNão gostos de dias específicos em calendários. Acho que desde de que me lembro de ser gente que não lhes acho graça. Gosto de festejar o momento, de inventar motivos, de ser espontânea.

De comprar uma prenda porque me lembra de ti e te dar numa terça-feira só porque sim… de te ligar numa segunda e dizer vamos ver o pôr-do-sol, só para passar mais tempo contigo… de te dizer parabéns mesmo quando não fazes anos, apenas porque te acho excepcional… de dizer que te amo, sejas o meu companheiro, a minha melhor amiga ou a minha mãe.

Não ligo a datas, as datas valem por mudanças, por períodos, por instantes e depois esquecem-se… diz-me o que te adianta desejarem-te Feliz Dia, apenas porque é 8 de Março se amanhã volta tudo ao mesmo? Amanhã se tiveres sorte…porque muito provavelmente passas pelo mesmo ainda hoje… ainda nem as rosas estão na jarra.

Festejar um dia e manter as mesmas ideias, as mesmas atitudes, as mesmas injustiças vale de alguma coisa? Continua a haver um alarmante caso de mortes e maus tratos às mulheres por aqueles que são mais próximos…continuamos a receber menos e a trabalhar mais, a ser menos ouvidas… a sermos as culpadas por sermos assediadas… a sentirmos culpa por não conseguir ser tudo e em todos os locais… Continuamos a ter de ser boas mães, ,melhores profissionais e perfeitas… perfeita maquilhagem, perfeito modelito… perfeitas donas de casa… perfeitas imperfeitamente.

Não vão ser as queimas dos soutiens que vão mudar mentalidades, as manifestações feministas (nada contra), que nos vão fazer ter o nosso valor reconhecido… as principais criticadoras das mulheres, são as mulheres… somos nós que nos olhamos de lado… que nos menosprezamos…que nos diminuímos. Essa deverá ser a primeira mudança, a principal… a mais importante. A que deverá ser ensinada no berço a pequena menina quando nasce… que ela não é menos, que é mais, que merece tudo e que pode ser tudo! E quando assim for… aí sim será um excelente Dia da Mulher no seu mais glorioso esplendor.

Namasté _()_

“E como nasci? Por um quase. Podia ser outra. Podia ser um homem. Felizmente nasci mulher. E vaidosa. Prefiro que saia um bom retrato meu no jornal do que os elogios.Tenho várias caras. Uma é quase bonita, outra é quase feia. Sou um o quê? Um quase tudo.”
Clarice Lispector

 

 

 

OMNIA IN UNUM

Trilhos definidos em horizontes indeterminados. Blog pessoal de Paulo Heleno

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magazine

Pseudo

Para o que der e vier!

O estranho mundo de Dom

...um mundo igual a tantos outros ... ou não !

Divas em Apuros

Um espaço de convívio para verdadeiras Divas.