Quando te cansas do mundo emigras para onde?

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Ontem mais uma vez os media invadiram o horário nobre com imagens horrendas de corpos despedaçados, descoordenados, em fuga sem saberem bem para onde… vi olhares ausentes que se questionavam o porquê de tal acontecer com eles… não sei que faria pois nunca passei por tal coisa.
Mas antes disso já temos sido invadidos com fogos descomunais, casas ardidas, corpos queimados, animais em fuga…pessoas em pânico… o que faria eu em tal situação? Não sei…nunca passei por tal coisa.
Junto a isso temos imagens de bullying nas escolas e fora delas, vídeos de animais agredidos…somos constantemente bombardeados de imagens de ódio… de corpos mutilados…violados… agredidos. Pessoas são ofendidas pelas suas crenças, os seus ideais… a sua cor de pele ou a sua apetência sexual… que faria eu? Não sei… ainda não passei por tal coisa.
Não me julguem mal, eu penso que devemos ser informados do que se passa, a realidade é que informação a mais e sem filtro é o mesmo que dar uma arma carregada a uma criança… ultimamente é isso mesmo não há filtro…não há humanidade…não há gratidão ou cedência…há interesses…podres…mesquinhos…frívolos!
Algures a humanidade vendeu a alma ao Diabo…

Somos o que pensamos. Tudo o que somos surge com nossos pensamentos. Com nossos pensamentos, fazemos o nosso mundo.

Buda

E ultimamente o que pensamos reflecte bem o mundo que vivemos!

Acima disse várias vezes que não saberia o que faria em diversas situações… mas sei o que NÃO FARIA… não perderia tempo a pegar numa camera… não iria desbloquear o meu telemóvel e assistir de forma ausente ao sofrimento de quem divide este mundo comigo enquanto alterava as definições de fotografia para filmagem para captar momentos de desespero… de angustia! Não iria fotografar um animal maltratado e abandonado para colocar um pedido bacoco de ajuda no meu perfil e me iria embora com o sentido de dever cumprido… um sentido que tem tanto de sentimento como um balde merda!
Não consigo compreender como é possível ter sangue frio… ou ser totalmente desprovido de alma e filmar algo sem agir… sem socorrer… já vi profissionais da área largarem tudo para irem em auxilio de outrem mas no entanto ainda existe quem lucre com uns minutos de terror com a desculpa de estarem a captar o momento!

Ontem foi mais um dia desses… hoje será mais um com o ataque há uma hora na Finlândia… porque o ser humano é mesmo assim… sequioso de fama…desprovido de moral… ausente de sentimento.

Se somos de facto o que pensamos assusta-me o que vai na mente desta gente! Verdadeiramente!
Por isso digam-me quando nos cansamos do mundo…emigramos para onde?

Namasté _()_

 

A ti me confesso (conto)

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Sophia sempre se questionou o porque do “ph” no nome, assim que teve idade rumou até a biblioteca da escola, procurou entre os livros empoeirados sob a visão quase de águia da bibliotecária e leu:

“Sophia: Significa “sabedoria” e “sabedoria divina”. Sophia tem origem no grego sophia, que quer dizer literalmente “sabedoria” “

Correu até casa de sorriso nos lábios e disse orgulhosa à mãe o que tinha descoberto do nome, a mãe entre sorrisos lá lhe respondeu que ela era a sua pequena divindade… o pai mais uma vez ignorou tal feito da miúda de 5 anos.

……

O som enferrujado do portão a abrir arrancou Sophia das lembranças… suspirou enquanto erguia os olhos do chão que tão cautelosamente pisava… é! O pai nunca lhe tinha dado muito valor!
Caminhou silenciosa entre aqueles que dormem o sono eterno, perdida nos pensamentos que não a deixavam em paz por nem um segundo desde da discussão da manhã, ainda conseguia sentir na pele os seus gritos entre lágrimas:

“Burro! És um burro injusto… sempre estive do teu lado e tu nunca me soubeste dar o mínimo de valor”

Tinha literalmente chegado ao seu limite, quem diria – pensou com um sorriso triste – que seriam necessários 40 anos para alcançar o seu limite?
Entrou na pequena capela solitária e austera que encontrou e deixou-se sentar cansada…enquanto erguia o olhar sofrido sussurrou:

“Porquê? Consegues tu ao menos explicar-me? Nunca faço nada de jeito… se escrevo sou demasiado ordinária em pensamentos… se fotografo é banal… se lhe explico as coisas nunca confia… se lhe faço, reconfirma até a exaustão… nunca têm uma palavra de apreço ou de carinho… raramente me vê como humana…as vezes sinto que do lado dele, ele vê uma criada reles ao seu dispor! Eu nunca me posso cansar, as dores nunca são más porque ele as tem sempre piores que as minhas e se o meu argumento o desarma grita-me um qualquer palavrão enquanto me ameaça com chantagens pequenas e reles que me fazem sentir a pior das mulheres. É meu pai não deveria ele proteger-me? Incentivar-me? Valorizar-me?”

Estás a ser uma miúda mimada – disse para si mesma – tanta gente com problemas bem piores que tu e vens lastimar-te como se fosse de facto algo com que Ele se importasse… Ele ou Ela… seja lá quem for, tem de certeza mais com que se entreter não achas?

Sorriu tristemente enquanto respondia a si mesma – só gostava de ter uma resposta – por mais que valorizem o que sou as vezes… só as vezes gostava o mesmo dele!

Levantou-se exausta de si mesma, sentia-se uma lagarta cujo casulo está demasiado apertado e já sem espaço para a suster… colocou a mão na porta para a abrir e descobriu uma pequena folha amarela do tempo… semicerrando os olhos há claridade da lua leu:

“Aprende a ser bastante flexível e adaptável. Ao mesmo tempo, trabalha sempre a partir de um conhecimento interior para que não sejas influenciado nem fiques dependente das circunstâncias e condições exteriores…”

Sorrindo agradeceu a resposta e colocou a folha no mesmo sítio onde a tinha encontrado, provavelmente mais alguém deveria necessitar de a ler… suspirou e saiu… Enquanto percorria o ultimo descanso de tantos pensou:

“Afinal não foram precisos 40 anos para chegar ao meu limite… foram preciso 40 anos para aprender que na nossa vida só está quem quer seja ele da família ou não”

E em paz consigo saiu..

PS: O conto é apenas uma chamada de atenção… sim verdade que precisamos de reconhecimento de quem amamos mas mais que isso precisamos de estar em paz com o que somos. Que ela vos seja sempre alcançável.

Namasté _()_

A idade da critica

criticaJá passamos a idade do gelo, a da agricultura e a do metal… caminhamos na do rococó e demos a volta pela do renascimento. Agora? Agora entramos na idade da critica… da construtiva? Essa acho que já nem consta no dicionário de metade da população mundial… não é a mais a critica por critica… a maledicência fácil que existe só porque sim e muitas vezes porque o fazemos no anonimato do PC.

Verdade que também eu já critiquei, aliás eu sou uma critica por natureza… mas se o faço no sentido de humilhar? Nunca o fiz nem vou fazer. Critico um acto (mas por norma contraponho com a solução para algo não acontecer), a forma de vestir (mas componho a alternativa)… o que se vê hoje em dia? É a estupidez assolapada de quem não levou no focinho quando era pequeno.

E ultimamente mais isso se vê no formato do artista… hoje em dia os artistas, ou os wanna be, acham que têm direito de criticar os outros só porque sim… como se não fossem os “parolos”, “os bobos alegres”, “os mal vestidos” que pagam para os ver e por esse motivo eles têm concertos para se deslocar.

Ele foi o Sobral e o peido… a Sobral e o facto de não se dar valor ao trabalho que foi feito e agora a Marisa que se julga fadista mas que de fadista genuína tem muito pouco a criticar a indumentária de quem foi ao Sol da Caparica assistir a sua “actuação” (sim as aspas aqui é de propósito)… diz ela supostamente que os calções e saias curtas ficavam mal as moças que por lá estavam horas de pé na torreira do sol para assistir à primeira dama dos vestidos de alta coture… sim eu sei que existe muita gente que vestida com aquilo é um atentado à sanidade mental… mas e depois? ERA A COSTA DA CAPARICA não era o Casino! E o pior? Pior é as pessoas ainda defenderem estes ataques de diarreia mental a esta cambada de artistas modernos que ainda continuam no activo porque existe pessoas de calções ou não que ainda pagam para os ver vomitar veborreias pela boca fora.

E enquanto isso Portugal queima, animais morrem, pessoas perdem tudo… mas que interessa isso não é? Pelo menos se se peidarem não cheira e os calções ali ninguém dá por eles!

Namasté _()_

Iesu oculis velate, et animum pusillum os talia audeant facere

3554b-106217-melekO titulo do texto está em latim, na tradução livre é qualquer coisa deste género (Olhos tapados, mente venenosa e boca mesquinha) porque em latim? Porque em pleno séc XXI ainda existe quem viva em XVI, em plena inquisição, de mente tacanha e dedo acusador ao que não conhece nem quer conhecer.

Cada vez mais sou contra a informação fácil divulgada pelo Google que torna doutorados em teses de merda os intelectuais que abundam nas redes sociais… vai de psicólogos de chinelo, designer de vão de escada, conselheiros de café de bairro a inquisidores de sofá que até sangram os olhos de os ver.

Há mínima pergunta inocente de alguém que cai na asneira de pedir um conselho nos grupos que agora proliferam por lá e pronto… cai uma chuvada de pedras de meter respeito as piores saraivadas do norte… toda a gente é dona da verdade…senhora do que é certo ou errado e se alguém critica? Ui então ai só não arrancam a lança das mãos de São Miguel porque provavelmente ele dava-lhes com ela no focinho.

Hoje num desses grupos perguntava uma miúda algo sobre uma suposta Santa do Monte… que a podia ajudar a levar a vida para a frente mas que tinha medo que fosse bruxaria… (enfim pelos vistos ainda se acha que as bruxas comem os meninos ao pequeno-almoço)… responde logo uma toda lampeira… tudo é bruxaria e tudo é adivinhação… e penso eu comigo:

eiiiiiiiiiiiiii TUDO TEM LIMITE!

Eu sei que existe muito charlatão pronto a dar o golpe a quem está em desespero de causa… sei que existe muito faz de conta…muita banha da cobra por aí… mas também o existe em tanto sitio… nos médicos que prolongam a doença para continuar a receber dinheiro…. nos PT que prolongam treinos… nos banqueiros que vendem o que não devem… em agentes de viagem que vendem gato por lebre… nas seitas que por aí abundam que prometem paraíso e na realidade nem acesso ao limbo têm!
Julgar todos por igual não é só uma falta de respeito a um dom é ignorância pura e superstição assolapada.

O dom existe sim senhora…existe quem tem dupla visão…quem vê o futuro nas cartas…nas runas… quem tem o poder de cura nas mãos… quem sente na pele a dor de outrem! E quanto vêm com aquela velha máxima: “se tem o dom não devia cobrar dinheiro” podem fazer um rolinho com ela e enfiar bem nos entrefolhos do cú”
Não pagam a um advogado se precisarem de justiça? A um médico se estão doentes? Então porque não haveriam de pagar a quem vos aconselha… a quem se desgasta energicamente para que se sintam melhores?

Banha da cobra existe, já o referi acima e não existe só agora… existe desde dos primórdios do tempo… existe assim que existiu a primeira mentira. O ser humano é mentiroso e manipulador por natureza mas não é todo igual… cada um com a sua personalidade e a sua forma de viver a vida… não se pode pensar que se por conhecer um, os outros são todos iguais, sendo assim são todos mentirosos, assassinos, ladrões, violadores… ou todos bons, honestos, ternos, disponíveis, verdadeiros. Não vivam com dois pesos ou duas medidas…não sejam credíveis nem inocentes mas percam essa mania de serem juiz e carrasco do que não sabem… acima de tudo aprendam a fechar a matraca quando não fazem ideia do assunto que está a ser debatido. Deus deu-nos duas orelhas e uma boca… se assim foi é porque é para ouvir mais e falar menos… pensem nisso!

Namasté _()_

 

Aqui vamos nós outra vez

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Antes de começar o texto, tenho de esclarecer alguns pontos, não que ache que tenha de justificar alguma coisa, mas como ultimamente o estrangeirismo impôs a sua garra podre e imunda na língua de Camões parece-me a mim que muito tendem a ter dificuldade em entender uma conversa 100% em bom português (até parece a rubrica do jornal da manhã na RTP), posto isto há que saber antes de tudo a diferença entre emigrante, imigrante e migrante já que o texto se refere a uma das espécies… Emigrante é aquele que sai do seu país seja por que motivo for para se estabelecer noutra nação… migrante é o que se desloca dentro do país de uma região para outra e imigrante são aqueles que vêm para o nosso país a procura de uma situação de vida melhor…

Com relação aos imigrantes ou mesmo aos migrantes quem sabe um dia destes escrevo algo sobre eles, este texto é mesmo sobre os primeiros, os emigrantes, mas propriamente os snobistas armados em bons que não sabem falar a própria língua muito menos a do país que residem mas que voltam tal qual andorinhas na primavera, montados nos seus carros alugados onde colocam o seu patriotismo nacional em bandeiras que muitas vezes nem os castelos têm o formato original mas que se acham muito acima dos pobres mortais que por cá continuam… tão acima que não se lembram da própria língua mãe… mas que a falam ininterruptamente em casa quando estão fora porque lhes recorda o seu país ou porque pura e simplesmente não sabem a do pais aonde estão emigrados.

Toda a gente que lida comigo e não precisa de me conhecer minimamente, são poucos os que me conhecem, sabe do meu amor pela língua portuguesa, amo-a de paixão, sempre gostei da forma como se forma na língua… da beleza que tem quando se a delineia num papel, talvez porque goste de escrever, provavelmente porque a goste de ouvir e ler… gosto da MINHA língua… pela riqueza dos verbos… pela forma quase maldosa que se consegue dar duplo sentido ás frases com uma pequena troca de entoação… de sermos dos poucos com palavras que não têm tradução… gosto dela com sotaque, sem sotaque… com os termos próprios de cada região… gosto quando é cantada…declamada…gritada… são gostos meus! Gosto da coragem do artista que a usa com orgulho na sua arte. Não se trata de ser do contra… de ser retrógrada ou de mentalidade pequena… gostava que o povo do meu país tivesse um decimo do orgulho da sua pátria e da sua cultura, do que sente pelo que vêm de fora!

Eu própria já fui emigrante, sei o que custa estar longe da nossa casa, da nossa família… não dos amigos, já que os verdadeiros ficam e amizade conquistasse em qualquer lado… sei o que é contar dias para voltar… do aperto no peito quando nos vamos embora outra vez… não me venham com falácias idiotas de que temos de os respeitar… de que podem falar na língua que lhes apetecer… não me julguem ignorante em assuntos de emigrantes…ou migrantes ou mesmo imigrantes… antes mesmo de virem com defesas medíocres por detrás do sofá, lembrem-se que provavelmente quem critica sabe do que fala ou de que diz… que cada uma das famílias destes país tão maravilhosamente rico e tão pobremente amado, tem alguém a trabalhar fora e que muito provavelmente mesmo na alegria de os receber de volta sente no coração a tristeza do desrespeito que impera em cada “Jean Pierre viens ici” arrastado de pronúncia paupérrima… e preferia mil vezes um gritado…”João Pedro vem cá imediatamente, cabrão do miúdo sai mesmo ao pai que não me ouve” mesmo que esteja acompanhado pelo português arranhado de quem passa meses a ouvir uma língua que não é a sua… tenho amigos fora… longe… amigos que penso várias vezes… que abraço com o coração apertado sempre que os reencontro… que os amo mais ainda quando me perguntam como se diz uma qualquer palavra em português porque não se recordam mas que nem por isso a preferem dizer em inglês, espanhol, francês ou qualquer outro idioma…

Por isso guardem as vossas retoricas bacocas com desculpas esfarrapadas, escondidas em frases chavão do tipo : “falo a língua que me apetecer porque os meus pais deram-me a educação de puder aprender mais que uma língua” que isso não é só triste mas o espelho reflectido de pessoas pobres de espirito, mal-amadas mas principalmente de pessoas que não fazem a mínima ideia do que é ter personalidade.

Namasté_()_

PS: Antes que venham com a parva tentativa de me criticarem pela imagem com a frase em inglês lembrem-se que eu até posso não ser encantadora de mulas… mas no que se trata de coices sou muito pior que elas 😉

Beijinho no ombro

 

Causas trocadas

FB_IMG_1501264495900Um dia destes, estava eu no ginásio e dei por mim a ouvir a música do filme, “Moulin Rouge” a tão famosa “Lady Marmalade”, confesso não ser uma pessoa saudosista mas o tema transportou-me até 2001, estava eu a trabalhar na saudosa “Loja da Musica”…bons tempos… dei por mim a pensar numa conversa que ouvi na altura entre um antigo colega meu e a sua amiga… qualquer coisa deste género:

“O tema não está correcto, dizia a amiga, vai contra tudo o que é defendido sobre a independência das mulheres, quando ouves a Lil Kim a dizer: Why spend mine when i can spend yours” são anos que regrides”

Já na altura tinha ouvido uma crítica qualquer, num daqueles programas de televisão que não interessam nem ao menino Jesus, no ano 97/98, com respeito a cena de Kate Winslet (Titanic) quando ela acendeu um cigarro para impor a sua liberdade de escolha, em contrapartida com a cena da Helen Hunt (As good as it Gets) onde ela pede a Jack Nicholson que apague o cigarro porque está junto do filho dela… a critica era que numa época anti tabagismo este devia ser o exemplo apregoado.

Confesso que na altura, achei apenas ridículas as acusações exaltadas dos defensores de direitos e os adeptos de saúde (nada contra), porque tanto no caso da música, como no caso do filme, referiam-se a épocas diferentes, com ideologias diferentes que retractavam formas de luta diferentes… ficou no passado, daquelas situações que achamos estúpidas na altura, mas que em nada ajudam a nossa riqueza mental ou comportamental, mas a verdade é que algo deve ter ficado enraizado, cá nos fundilhos para do nada… depois de um treino enquanto ouvia a musica o meu subconsciente ter trazido a tona as memórias…

Hoje acho que me bateu o motivo delas terem vindo a tona, têm a ver com as pessoas, em pleno século XXI continuarem a dar atenção as ninharias ao invés de o darem ao quadro geral… tantos anos se passaram e continuamos preocupados com a letra da musica, o acender de um cigarro, ao invés da historia por detrás de uma vida de doenças na cosmopolita cidade de França, Paris… ou do afundar de um barco que supostamente nem Deus afundava… a soberba estupidez do ser humano continua patente hoje em dia com as listas das vidas perdidas num dos maiores incêndios do nosso pais, a indemnização pedida por uma companhia que até à pouco tempo era estatal (corrijam-me se estiver errada), ou mesmo do bate boca da direita/esquerda e meninas que brincam à politica, de quem é a culpa do desastre em vez de tentaram saber o que o causou, para que mais possam ser evitados.

Quem sabe não há um debate sobre isso, entretanto podem sempre aproveitar e debater onde estão os milhões angariados entres festivais e outras cenas mais, que ainda não chegaram aonde deveriam… ao invés de andarem a tentar saber qual é o sexo dos anjos.

Namasté _()_

 

Dia de…

30d22a9f77356800fe9e8ef0e7849393Eu não sou uma pessoa fácil é um facto, tenho um feitio difícil, fervo em muito pouca água, cansam-me as pessoas… enervam-me as frivolidades. Outro dos meus defeitos, pelo menos nos dias que correm, é o facto de ser sincera a 1000%… Acho que nem penso antes de falar… quando vou a ver já foi.

Talvez tenha sido esse um dos motivos que criou o interregno tão elevado que tive na escrita, passei de escrever todos os dias, para o fazer de uma forma muito pausada até deixar de o fazer por quase um ano. As pessoas que nos “lêem” tão superficialmente nestas auto-estradas de informação fácil e sem filtro, tendem a ter a tendência de se acharem no direito de nos julgarem… lido bem com o julgamento é um facto, até porque por norma estou-me a cagar para ele, não lido tão bem assim com falsas suposições e tentativas fúteis de controlar o que penso e como me sinto, ou como me deveria comportar…

Outras coisas que não tenho paciência é a forma cordeira e ordeira que ultimamente nos temos de reger… entre elas a necessidade quase patológica de atribuir festejos aos dias, são tantas as merdas que se festejam em 365/366 dias/ano que se festejam várias num dia só.

Ele é o dia de Gaia (como se apenas um dia bastasse para minorar a porcaria que andamos a fazer há milénios a quem nos acolhe), o dia sem carros, o dia do chocolate, o dia dos primos, o dia dos tios, o dia dos irmãos, o dia do pai, o dia da mãe (que já não é no dia que era mas passou a outro dia sabe-se lá porquê), o dia da Ana e da Andreia e do João e o c@ralho a quatro, o dia dos mortos, o dia dos vivos, o dia dos que deveriam morrer… enfim já têm a ideia.

Ontem foi o dia dos avós, provavelmente foi dia também das joaninhas que habitam no canto superior esquerdo da 5ª montanha no Alasca, mas pelas redes sociais parecia que de repente todos se lembraram que tinham avós, que eles existem e que não são o estorvo que todos reclamam insistentemente todos os dias… porque têm de ir com eles ao médico, ou ao parque ou ligar para saber se estão bem, ou vivos. Sim, já sei que metade esta a pensar eu não sou assim e outra metade esta a pensar que provavelmente eu sou dessas também… se calhar até sou… os velhos (sim velhos não é idosos, nem de idade avançada é VELHOS porque essa é a forma correcta de nos referirmos a eles, as pessoas é que têm a mania de ver o mal onde não existe e o romance onde apenas esta idade), são difíceis de lidar e provavelmente já disse várias vezes que estava farta de os aturar, ou elevei a voz porque era a 500ª vez que me contavam do dia que subiram ao pinheiro para ir ao ninho dos passarinhos, mas pelo menos não me lembro deles porque o Goucha o anunciou no programa da manhã na televisão.

Tenho uma avó aqui ao lado com quem posso não falar todos os dias e de quem sou neta única, mas que quando necessita de me dizer pela 10ª vez de como conheceu o marido a ouço, assim como a levo ao médico quando necessário e a mando calar quando não tenho paciência, tenho um avô distante que contando comigo têm 12 netos (penso eu, já que os meus tios têm a tendência de mijar fora do penico) e pelo menos 5 bisnetos a quem ligo religiosamente para saber se almoçou e se está bem, porque senão o fizer… se ele falecer só o saberei já ele estará em decomposição… e esses, os meus primos, são provavelmente daqueles que em frases feitas homenagearam aqueles que eram em tempos antigos onde a virtude e a família era valorizada, considerados os nossos segundos pais.

Por isso não! Não comemoro dias, nem datas, nem merdas nenhumas impostas por aqueles que se acham acima do que sentimos. Não preciso de datas em calendários com cãezinhos fofinhos dependurados na porta da cozinha para me lembrar de dizer “amo-te”, “estas bem?”, “és o melhor da minha vida”, “és a minha melhor amiga”, “sim avô já me contou como roubou o beijo a avó várias vezes mas pode contar outra vez porque gosto de o ouvir falar”

Por isso podem meter o festejos onde não entra o sol e os julgamentos noutro dos buracos que vos der mais jeito 😉

Namasté _()_

 

Último adeus

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O homem não tem poder sobre nada enquanto tem medo da morte. E quem não tem medo da morte possui tudo.
Tolstoi

Aceitamos mal a morte, pelo menos naquilo que fomos inevitavelmente programados enquanto crianças, na nossa religião por exemplo, a morte é sempre algo a ser temido.

Sempre assim foi quando se trata do desconhecido, do não saber o que está para além de… tentamos explicar, formalizar, esquematizar…ouvimos ávidos e temerosos todas as teorias de quem se julga sabedor da verdade… de quem já quase passou por ela… não a aceitamos da forma natural que deveríamos aceitar porque pura e simplesmente não queremos “sair da festa que é a vida!”…mas não sabemos realmente viver.

Não encaro a morte como aquele ser cruel que nos corta o laço que nos mantém conscientes do que nos rodeia, ele não é mais que um funcionário público que cumpre o papel que lhe foi previamente estabelecido…nascemos,vivemos … morremos! E no intermédio entre solavancos de efémera alegria e inevitável tristeza tentamos deixar algo que nos mantenha vivos para sempre na memória de quem amamos…

Tenho a minha crença sobre a morte, é minha…baseada naquilo que sinto, no que vivencio quando olho o mundo com os olhos da mente e não com os da visão… e no meio do que creio não a temo…embora não a deseje.

Hoje alguém com quem convivi faleceu de forma abrupta… acho que ficamos sempre abalados quando recebemos a notícia que alguém que vemos todos os dias vai deixar de estar no plano onde nos encontramos…perdemos o chão… achamos injusto! Deixou um filho a entrar na faculdade… tenho a certeza que não queria sair da “festa” tão cedo. Mas a vida é assim mesmo, irredutível naquilo que nos tem reservado.

Num mundo ideal, pelo menos no meu mundo ideal,  nascíamos, crescíamos e envelhecíamos até certa idade, sem doenças que nos castrassem ou maltratassem e saberia exactamente o dia que morreríamos… faríamos uma festa com que amamos, bebíamos, comíamos, riamos, dançávamos e deixávamos as despedidas feitas e a vida arrumada…vivíamos a sério a dádiva que é esta vida e no fim… adormecíamos no sono tranquilizador de dever cumprido… mas o mundo é como é… temos apenas de o saber aceitar.

Até sempre minha querida, vou sentir saudades de te ver por aqui.

Namasté _()_

Pensamentos meus

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“Pensamos em demasia e sentimos bem pouco. Mais do que de máquinas, precisamos de humanidade. Mais do que de inteligência, precisamos de afeição e doçura. Sem essas virtudes, a vida será de violência e tudo será perdido.”
[The Great Dictator (1940)]

― Charles Chaplin

Provavelmente sou eu que penso demais, sinto demais, espero demais…mas o mundo deixou de saber amar.

Posso dizer que sou uma mulher de sorte no que diz respeito a minha quota-parte de amor, talvez para uns seja sortuda e para outros retrograda mas para mim a base da vida e do que somos está na nossa capacidade de amar e ser amada.

Pelo que vejo quando paro e olho em volta é que se deixou de se saber como amar e como ser amado e isso entristece-me mais do que me revolta.

Não posso deixar de questionar o que será do futuro de uma geração onde o amor se tornou obsoleto, onde amar sem querer nada em troca ou onde se ser fiel a um sentimento é ser-se idiota e antiquado… mais que isso não me conseguido deixar de questionar sobre o que será o futuro de um país onde a tecnologia substituiu o sentimento e onde a cedência para que o outro se sinta bem deixou pura e simplesmente de existir… mais do que máquinas incapazes de sentir cada vez mais nos estamos a tornar em autónomos que deixamos de saber viver… e é triste…tão triste tão pouca gente ver isso.

Namasté _()_

Na surdina quando ela ataca

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“Olhos que não vêm coração que não sente” já diz o ditado, e neste caso ele aplicasse demasiadamente bem a muita coisa.

Ultimamente têm sido assustador a quantidade de pessoas que sucumbe a uma doença que tão mal faz e que pouco se dá valor… não se a vê… é fácil ignorar ou tagar com ideias preconcebidas de médicos do séc. passado quem as sofre.

Quando me dizem que doenças como o cancro, a hepatite ou a sida são as doenças do século, dá-me verdadeiramente vontade de rir, não que não sejam um flagelo, mas porque elas existem já há demasiado tempo para terem um “rótulo” tão moderno. Sim já poderiam ter cura não fosse os lobbies… sim já todos sabemos disso mas não se faz merda nenhuma em relação à situação em que nos encontramos por isso não valeria de nada eu estar a “bater no ceguinho”

Falo das doenças que ninguém tem, ninguém assume e que não precisa de lobbies que impeçam a sua cura, já que o principal oponente ao seu tratamento costuma ser quem dela sofre.

Vergonha, medo, desconhecimento, superstição ou simplesmente estupidez podem ser as causas que impedem a procura de ajuda… frases como: “não preciso de ir ao psicólogo que não sou maluco” enquadram-se na mesma área do “vou a igreja porque preciso de rezar” uma não impede a outra, até porque por norma a nível de doenças mentais quem trata são os psiquiatras e para rezar não temos de levar com os padres na sua atitude superior paternalista de ir ao cú!

Enquanto não se mudar a mentalidade de quem sofre e de quem convive com quem sofre nada vai mudar e vamos continuar a perder vidas para uma doença que não existe… que só se sofre “porque não se faz nada para estar ocupado”, “se é fraco” ou pior ainda “se anda à procura de atenção”.

A realidade é que dependendo do organismo de cada um, já que cada um é como cada qual e ninguém é igual a ninguém essa conversa é mais ou menos como esta frase… um blá blá de encher chouriços que não trás bem nenhum, nem solução para o problema!

A depressão é uma realidade dolorosa que existe, que magoa, que causa sofrimento…sofrimento que nos paralisa quase como se sofrêssemos de uma qualquer enfermidade física, é mesquinha e oportunista porque é facilmente ignorada, escondida e barrada da mentalidade forte e independente da sociedade de merda do Séc XXI!

Não ataca os fracos, ataca sem escolher nada nem ninguém, ataca os fortes de mente porque se acham acima dos demais, ataca os fracos porque se sentem tão fracos que não têm em si a coragem necessária para gritar ajuda! Ataca quem tem muita coisa para fazer e não descansa o corpo, assim como ataca os que têm todo o tempo do mundo e divagam sobre a sua verdadeira missão por cá! Ataca…sem escolher nem cor, nem credo, nem orientação sexual ou politica… e ataca com uma força tal que se não respondes com abertura de espírito e clareza de mente… te destrói sem pena… até te deixar um farrapo de ti mesmo, sem que não tenhas mais escolha nenhuma a não ser terminar com aquilo que mais te magoa… tu mesmo!

Tu que sofres pede ajuda! As doenças mentais não são um bicho-de-sete-cabeças que implicam tratamentos por electrochoques ou exorcismos, assume acima de tudo que sofres de algo que infelizmente não vais ter a capacidade de superar sozinho e não te deixes chegar até a zona do “beco sem saída”

Tu que não sofres mas conheces alguém que sofre e que teve a humildade de te falar, ou mesmo que não tenha falado, não te lances para fora de pé com opiniões e soluções pré-definidas, se não sabes não fales, já diz o ditado “em boca fechada não entra mosca nem sai merda” (sim eu sei que estou virada para os ditados hoje, cada um com a sua pancada), se de facto quiseres ajudar informa-te e apoia com a tua presença… as vezes só lá estar em silêncio ajuda mais que bocas foleiras.

No geral lembra-te por favor que não estás sozinho, que existe ajuda e luz no fundo do túnel, mas principalmente que a depressão é uma doença e da mesma maneira que não ignoras uma gripe não a ignores até ser tarde demais.

Namasté _()_

PS:
Porque nunca é demais realçar aqui fica o link com números que podem ser úteis em alguns casos
http://www.spsuicidologia.pt/sobre-o-suicidio/telefones-uteis

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Pseudo

Para o que der e vier!

O estranho mundo de Dom

...um mundo igual a tantos outros ... ou não !

Divas em Apuros

Um espaço de convívio para verdadeiras Divas.