Dia de…

30d22a9f77356800fe9e8ef0e7849393Eu não sou uma pessoa fácil é um facto, tenho um feitio difícil, fervo em muito pouca água, cansam-me as pessoas… enervam-me as frivolidades. Outro dos meus defeitos, pelo menos nos dias que correm, é o facto de ser sincera a 1000%… Acho que nem penso antes de falar… quando vou a ver já foi.

Talvez tenha sido esse um dos motivos que criou o interregno tão elevado que tive na escrita, passei de escrever todos os dias, para o fazer de uma forma muito pausada até deixar de o fazer por quase um ano. As pessoas que nos “lêem” tão superficialmente nestas auto-estradas de informação fácil e sem filtro, tendem a ter a tendência de se acharem no direito de nos julgarem… lido bem com o julgamento é um facto, até porque por norma estou-me a cagar para ele, não lido tão bem assim com falsas suposições e tentativas fúteis de controlar o que penso e como me sinto, ou como me deveria comportar…

Outras coisas que não tenho paciência é a forma cordeira e ordeira que ultimamente nos temos de reger… entre elas a necessidade quase patológica de atribuir festejos aos dias, são tantas as merdas que se festejam em 365/366 dias/ano que se festejam várias num dia só.

Ele é o dia de Gaia (como se apenas um dia bastasse para minorar a porcaria que andamos a fazer há milénios a quem nos acolhe), o dia sem carros, o dia do chocolate, o dia dos primos, o dia dos tios, o dia dos irmãos, o dia do pai, o dia da mãe (que já não é no dia que era mas passou a outro dia sabe-se lá porquê), o dia da Ana e da Andreia e do João e o c@ralho a quatro, o dia dos mortos, o dia dos vivos, o dia dos que deveriam morrer… enfim já têm a ideia.

Ontem foi o dia dos avós, provavelmente foi dia também das joaninhas que habitam no canto superior esquerdo da 5ª montanha no Alasca, mas pelas redes sociais parecia que de repente todos se lembraram que tinham avós, que eles existem e que não são o estorvo que todos reclamam insistentemente todos os dias… porque têm de ir com eles ao médico, ou ao parque ou ligar para saber se estão bem, ou vivos. Sim, já sei que metade esta a pensar eu não sou assim e outra metade esta a pensar que provavelmente eu sou dessas também… se calhar até sou… os velhos (sim velhos não é idosos, nem de idade avançada é VELHOS porque essa é a forma correcta de nos referirmos a eles, as pessoas é que têm a mania de ver o mal onde não existe e o romance onde apenas esta idade), são difíceis de lidar e provavelmente já disse várias vezes que estava farta de os aturar, ou elevei a voz porque era a 500ª vez que me contavam do dia que subiram ao pinheiro para ir ao ninho dos passarinhos, mas pelo menos não me lembro deles porque o Goucha o anunciou no programa da manhã na televisão.

Tenho uma avó aqui ao lado com quem posso não falar todos os dias e de quem sou neta única, mas que quando necessita de me dizer pela 10ª vez de como conheceu o marido a ouço, assim como a levo ao médico quando necessário e a mando calar quando não tenho paciência, tenho um avô distante que contando comigo têm 12 netos (penso eu, já que os meus tios têm a tendência de mijar fora do penico) e pelo menos 5 bisnetos a quem ligo religiosamente para saber se almoçou e se está bem, porque senão o fizer… se ele falecer só o saberei já ele estará em decomposição… e esses, os meus primos, são provavelmente daqueles que em frases feitas homenagearam aqueles que eram em tempos antigos onde a virtude e a família era valorizada, considerados os nossos segundos pais.

Por isso não! Não comemoro dias, nem datas, nem merdas nenhumas impostas por aqueles que se acham acima do que sentimos. Não preciso de datas em calendários com cãezinhos fofinhos dependurados na porta da cozinha para me lembrar de dizer “amo-te”, “estas bem?”, “és o melhor da minha vida”, “és a minha melhor amiga”, “sim avô já me contou como roubou o beijo a avó várias vezes mas pode contar outra vez porque gosto de o ouvir falar”

Por isso podem meter o festejos onde não entra o sol e os julgamentos noutro dos buracos que vos der mais jeito 😉

Namasté _()_

 

Último adeus

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O homem não tem poder sobre nada enquanto tem medo da morte. E quem não tem medo da morte possui tudo.
Tolstoi

Aceitamos mal a morte, pelo menos naquilo que fomos inevitavelmente programados enquanto crianças, na nossa religião por exemplo, a morte é sempre algo a ser temido.

Sempre assim foi quando se trata do desconhecido, do não saber o que está para além de… tentamos explicar, formalizar, esquematizar…ouvimos ávidos e temerosos todas as teorias de quem se julga sabedor da verdade… de quem já quase passou por ela… não a aceitamos da forma natural que deveríamos aceitar porque pura e simplesmente não queremos “sair da festa que é a vida!”…mas não sabemos realmente viver.

Não encaro a morte como aquele ser cruel que nos corta o laço que nos mantém conscientes do que nos rodeia, ele não é mais que um funcionário público que cumpre o papel que lhe foi previamente estabelecido…nascemos,vivemos … morremos! E no intermédio entre solavancos de efémera alegria e inevitável tristeza tentamos deixar algo que nos mantenha vivos para sempre na memória de quem amamos…

Tenho a minha crença sobre a morte, é minha…baseada naquilo que sinto, no que vivencio quando olho o mundo com os olhos da mente e não com os da visão… e no meio do que creio não a temo…embora não a deseje.

Hoje alguém com quem convivi faleceu de forma abrupta… acho que ficamos sempre abalados quando recebemos a notícia que alguém que vemos todos os dias vai deixar de estar no plano onde nos encontramos…perdemos o chão… achamos injusto! Deixou um filho a entrar na faculdade… tenho a certeza que não queria sair da “festa” tão cedo. Mas a vida é assim mesmo, irredutível naquilo que nos tem reservado.

Num mundo ideal, pelo menos no meu mundo ideal,  nascíamos, crescíamos e envelhecíamos até certa idade, sem doenças que nos castrassem ou maltratassem e saberia exactamente o dia que morreríamos… faríamos uma festa com que amamos, bebíamos, comíamos, riamos, dançávamos e deixávamos as despedidas feitas e a vida arrumada…vivíamos a sério a dádiva que é esta vida e no fim… adormecíamos no sono tranquilizador de dever cumprido… mas o mundo é como é… temos apenas de o saber aceitar.

Até sempre minha querida, vou sentir saudades de te ver por aqui.

Namasté _()_

Pensamentos meus

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“Pensamos em demasia e sentimos bem pouco. Mais do que de máquinas, precisamos de humanidade. Mais do que de inteligência, precisamos de afeição e doçura. Sem essas virtudes, a vida será de violência e tudo será perdido.”
[The Great Dictator (1940)]

― Charles Chaplin

Provavelmente sou eu que penso demais, sinto demais, espero demais…mas o mundo deixou de saber amar.

Posso dizer que sou uma mulher de sorte no que diz respeito a minha quota-parte de amor, talvez para uns seja sortuda e para outros retrograda mas para mim a base da vida e do que somos está na nossa capacidade de amar e ser amada.

Pelo que vejo quando paro e olho em volta é que se deixou de se saber como amar e como ser amado e isso entristece-me mais do que me revolta.

Não posso deixar de questionar o que será do futuro de uma geração onde o amor se tornou obsoleto, onde amar sem querer nada em troca ou onde se ser fiel a um sentimento é ser-se idiota e antiquado… mais que isso não me conseguido deixar de questionar sobre o que será o futuro de um país onde a tecnologia substituiu o sentimento e onde a cedência para que o outro se sinta bem deixou pura e simplesmente de existir… mais do que máquinas incapazes de sentir cada vez mais nos estamos a tornar em autónomos que deixamos de saber viver… e é triste…tão triste tão pouca gente ver isso.

Namasté _()_

Na surdina quando ela ataca

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“Olhos que não vêm coração que não sente” já diz o ditado, e neste caso ele aplicasse demasiadamente bem a muita coisa.

Ultimamente têm sido assustador a quantidade de pessoas que sucumbe a uma doença que tão mal faz e que pouco se dá valor… não se a vê… é fácil ignorar ou tagar com ideias preconcebidas de médicos do séc. passado quem as sofre.

Quando me dizem que doenças como o cancro, a hepatite ou a sida são as doenças do século, dá-me verdadeiramente vontade de rir, não que não sejam um flagelo, mas porque elas existem já há demasiado tempo para terem um “rótulo” tão moderno. Sim já poderiam ter cura não fosse os lobbies… sim já todos sabemos disso mas não se faz merda nenhuma em relação à situação em que nos encontramos por isso não valeria de nada eu estar a “bater no ceguinho”

Falo das doenças que ninguém tem, ninguém assume e que não precisa de lobbies que impeçam a sua cura, já que o principal oponente ao seu tratamento costuma ser quem dela sofre.

Vergonha, medo, desconhecimento, superstição ou simplesmente estupidez podem ser as causas que impedem a procura de ajuda… frases como: “não preciso de ir ao psicólogo que não sou maluco” enquadram-se na mesma área do “vou a igreja porque preciso de rezar” uma não impede a outra, até porque por norma a nível de doenças mentais quem trata são os psiquiatras e para rezar não temos de levar com os padres na sua atitude superior paternalista de ir ao cú!

Enquanto não se mudar a mentalidade de quem sofre e de quem convive com quem sofre nada vai mudar e vamos continuar a perder vidas para uma doença que não existe… que só se sofre “porque não se faz nada para estar ocupado”, “se é fraco” ou pior ainda “se anda à procura de atenção”.

A realidade é que dependendo do organismo de cada um, já que cada um é como cada qual e ninguém é igual a ninguém essa conversa é mais ou menos como esta frase… um blá blá de encher chouriços que não trás bem nenhum, nem solução para o problema!

A depressão é uma realidade dolorosa que existe, que magoa, que causa sofrimento…sofrimento que nos paralisa quase como se sofrêssemos de uma qualquer enfermidade física, é mesquinha e oportunista porque é facilmente ignorada, escondida e barrada da mentalidade forte e independente da sociedade de merda do Séc XXI!

Não ataca os fracos, ataca sem escolher nada nem ninguém, ataca os fortes de mente porque se acham acima dos demais, ataca os fracos porque se sentem tão fracos que não têm em si a coragem necessária para gritar ajuda! Ataca quem tem muita coisa para fazer e não descansa o corpo, assim como ataca os que têm todo o tempo do mundo e divagam sobre a sua verdadeira missão por cá! Ataca…sem escolher nem cor, nem credo, nem orientação sexual ou politica… e ataca com uma força tal que se não respondes com abertura de espírito e clareza de mente… te destrói sem pena… até te deixar um farrapo de ti mesmo, sem que não tenhas mais escolha nenhuma a não ser terminar com aquilo que mais te magoa… tu mesmo!

Tu que sofres pede ajuda! As doenças mentais não são um bicho-de-sete-cabeças que implicam tratamentos por electrochoques ou exorcismos, assume acima de tudo que sofres de algo que infelizmente não vais ter a capacidade de superar sozinho e não te deixes chegar até a zona do “beco sem saída”

Tu que não sofres mas conheces alguém que sofre e que teve a humildade de te falar, ou mesmo que não tenha falado, não te lances para fora de pé com opiniões e soluções pré-definidas, se não sabes não fales, já diz o ditado “em boca fechada não entra mosca nem sai merda” (sim eu sei que estou virada para os ditados hoje, cada um com a sua pancada), se de facto quiseres ajudar informa-te e apoia com a tua presença… as vezes só lá estar em silêncio ajuda mais que bocas foleiras.

No geral lembra-te por favor que não estás sozinho, que existe ajuda e luz no fundo do túnel, mas principalmente que a depressão é uma doença e da mesma maneira que não ignoras uma gripe não a ignores até ser tarde demais.

Namasté _()_

PS:
Porque nunca é demais realçar aqui fica o link com números que podem ser úteis em alguns casos
http://www.spsuicidologia.pt/sobre-o-suicidio/telefones-uteis

Divagando

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A minha bisavó materna sempre disse isto a minha mãe:

“No dia em que as máquinas fizerem tudo por nós e nós tivermos de deitar a cabeça para trás para ver os prédios e mesmo assim não virmos o fim deles, estaremos no final do mundo”

Compreendo para alguém que me possa ler e não tenha noção de como era o mundo sem os “iphones, ipads e outros ip qualquer coisa” isto possa parecer ridículo, mas para uma mulher iletrada como ela, no tempo em que ainda nem a televisão tinha cores, prever tal coisa é algo de extraordinário.

Não a cheguei a conhecer, tenho pena, acredito que seria um poço de sabedoria e alguém como uma visão bastante abrangente do que é o mundo, pelo que ouço do meu avô, ou da minha mãe sei que teria bastante a ganhar em conversas que poderíamos ter tido… não aconteceu. Acreditem ou não, já que há convicções que são de cada um, sei que tenho em mim algo dela, na forma de ver o mundo.

Não! Não acredito que o mundo irá terminar num qualquer colapso apocalíptico… acredito sim que Gaia está cansada daquilo que andamos a fazer com a nossa capacidade hercúlea de olharmos apenas para o nosso umbigo e que eventualmente irá dissipar a praga que a assola… de uma forma naturalmente evolutiva… foi assim que aparecemos e irá muito provavelmente ser assim que iremos desaparecer e quando isso acontecer ela própria irá recuperar das feridas tão profundas que lhe causamos.

Talvez ainda se vá a tempo de recuperar erros, eu sinceramente não tenho fé nenhuma na nossa raça… nesta raça de hábitos maus e capacidade destrutiva que sente prazer no mal que causa. Que se refugia em desculpas bacocas de fé podre para justificar actos injustificáveis. Nesta sociedade que mesmo passados tantos anos de conquistas e evangelizações continuam a tentar subjugar os outros na base da “minha verdade ser mais verdadeira que a tua”.

Li uma vez algo que me ficou na cabeça:

“Os teus anjos são os demónios do teu inimigo”

Tão simples a frase e tão assustadoramente certa… sim ainda acredito em algo superior que nos rege… não, não lhe coloco a culpa pelas desgraças e catástrofes… e atentados e mortes…  isso é causado pela única raça que se movimenta pelo mais mesquinho dos sentimentos… a cobiça!

Namasté _()_

Sobre o síndroma de coitadismo

15057346_212038075887176_6017606432780713984_nCansa-me o síndroma de coitadismo, exaspera-me a mania que existe de defender as minorias… de ser fácil acusar só porque sim do alto da sua autoridade que lhe dá o belo do traseiro alapado no sofá. Nunca se olha com olhos de ver, se questiona motivos, se tenta saber o que se passou, é assustador a forma como se é manipulado por imagens sensacionalistas de merda!

Salta cá para fora discursos inflamados de hippies dos anos 60, retraídos pela necessidade monetária de construir um futuro… quase que os consigo imaginar…

“abaixo a autoridade castradora das forças… viva o mediocrismo das imagens deturpadas dos oprimidos…”

é caso para citar uma célebre frase:

“Que belo parlatório… arrepiaste-me a epiderme!”

Não podia deixar de me pronunciar sobre o caso do mata-leão… não podia simplesmente porque me enerva ver a forma como se acusa um homem que apenas cumpriu o seu dever… com ideias preconcebidas de direitos e deveres e géneros e opções. É arrepiante a forma como se toma partidos, se fala sem conhecimento de causa!

Frases como:

“É racismo e xenofobia”, “Só fez isso porque é gay e brasileiro”, “Um polícia quando está a civil não pode actuar”

deixa-me a mim com vontade de distribuir mais uns mata-leões mas com uma caçadeira automática e com mira para não falhar o alvo.

Vamos ver se nos entendemos:

Ponto 1: Uma força de autoridade nunca deixa de o ser. A partir do momento que se identifica, actua com toda a legitimidade.

Ponto 2: É proibido por lei filmar uma instituição pública, assim como é contra a lei usarem a imagem de quem quer que seja sem a sua autorização.

Ponto 3: Suborno e coacção que eu saiba ainda é crime no meu país, seja ela praticada por quem quer que seja.

Ponto 4: Eu vi o vídeo, aquilo é mais fita que outra coisa, tivesse o sujeito ficado quieto em vez de continuar a filmar a língua agarrado qual libélula ao balcão não tinha de ser acordado a bofetada.

Em resumo:

Ele podia até ser um índio arraçado de pigmeu por parte do pai e lavrador por parte da mãe que para mim era igual, foi incorrecto e ofensivo, resistiu a autoridade e isso é irrefutável fossem vocês a serem ofendidos e teriam querido que tivessem ido em vossa defesa.

É preciso que nos deixemos desta mania de sermos políticos de bancada, comentadores de batata frita principalmente quando se desconhece os factos e muito menos as pessoas envolvidas.

E antes que me venham para aqui com o vosso livro de bons costumes, deixem que vos diga que conheço o dito santo que defendem com argumentos do género:

“Eu vi o perfil do senhor e ele é inofensivo”

O senhor inofensivo tem um processo em tribunal por agressão a uma colega com um bisturi, além de outros antecedentes igualmente simpáticos.

Aprendam nem toda a minoria é oprimida e nem toda a autoridade abusa da força, e vocês? Se defendessem causas verdadeiramente importantes com a força com que acusam e julgam as pessoas em praça pública teriam muito mais a ganhar.

Namasté _()_

Nullam Phasellus

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Ando há uns dias a matutar numa realidade que nos assola nos dias que correm, não é bem nos dias que correm, mas ultimamente parece que se está a tornar o pão de cada dia… ponderei se me deveria referir a isso ou não sem desencadear a 3ª guerra mundial, (as pessoas tendem a enfiar carapuças até aos tornozelos) e à pouco, depois de ter recebido um elogio acabei por me decidir a fazê-lo, não pelo elogio em si, mas pelo facto de ser raro hoje em dias as pessoas serem atendidas desta maneira.

Diz uma cliente que entrou pela primeira vez na loja:

“A senhora é muito simpática e disponível, hoje em dia isso é raro. Maior parte das pessoas nem olham para o cliente e quando olham é só para indicar algo e voltam os olhos para o telemóvel”

Podem retorquir que sendo um negócio meu, é normal que assim seja mas deixem que vos diga que sempre fui assim. Um cliente é aquele que faz a casa manter-se aberta… se a casa está aberta a casa factura, se factura o patrão recebe e se o patrão recebe contas são pagas… inclusive à dos pobres e maltratados quase escravos, funcionários (sim estou a ser irónica).
Hoje em dia nenhuma empresa está livre de fechar, nem bancos, nem multinacionais, nem a peixaria da D. Mariquinhas.

Pior hoje em dia muitas casas fecham pelo mau empenho e pela falta de profissionalismo que abunda de uma forma tão galopante que quase nos viola as meninas dos olhos.

Ontem pela tarde, fui ao banco aqui ao lado, toda a gente conhece o meu amor avassalador pelo sistema bancário do nosso país, já no dia anterior e porque eu evito ao máximo o contacto com a espécie, tinha lá ido depositar um valor na máquina… estive mais de 1 hora a espera e porquê? Porque não havia sistema… acontece podem dizer, claro que acontece mas não fosse a aventesma que estava a auxiliar os clientes ser uma besta com os homens e comer as miúdas com os olhos, o tempo de espera seria bem menor… resultado? Tanto a criatura mexeu na máquina que lixou com f aquela merda… o que aconteceu? Tive ontem de levar (salvo seja) com os amigos e deslocar-me à caixa… era mais ou menos 14h50 da tarde e para os moços já devia ser 15h porque nenhuma daquelas almas atendeu o telefone que tocava… passou de secretária em secretária tal qual bomba relógio sem que ninguém o atendesse… confesso que tive quase para o atender eu e dizer:

“Não…o pessoal aqui já não está a serviço… está tudo a coçar a puta da micose, cansados das 5h30 que trabalharam… que se na realidade descontarmos… café…conversa…galinhagem e outras merdas que tais se resume a 3h”

Bufei juro que bufei, mas certas batalhas estão perdidas a nascença e nem valem a pena serem travadas. Não existe brio hoje em dia, o profissionalismo é algo que está extinto e amor a camisola? Isso é só uma palavra cara que durou até ao fim dos anos 90. É uma vergonha!

Não há trabalho de equipa, se um filho da puta do telefone toca e o colega não pode atender atende o outro… é a lógica da batata benza Deus! Não! Agora a moda é subintitular a falta de competência com a crise… fecha uma empresa foi a crise… fica uma população sem a única instituição bancária para levantar a pensão é a crise… fazem barulho e são chamados à responsabilidade… despedem-se! Tamanha é a crise não é?

Vergonhoso…

Sempre primei por saber fazer de tudo por onde passei… do empregado de limpeza a cada uma da secção que antecedia e procedia a minha…. Mesmo quando ouvia bocas do género:

“Era o que faltava saber mais… quanto mais sabes mais trabalhas”, “Queres agarrar o mundo com as pernas”, “Deves pensar que ganhas mais por isso”

Nunca ganhei mais por isso meus amigos, dos patrões tive reconhecimento, dos chefes tive alivio quando me vim embora, mas também eu nunca fui fácil de engrupir (não é fácil quando sabes ao certo o que eles fazem 😉 ), dos clientes tive lágrimas quando me despedi e muito mimo e atenção nos anos que estive com eles… e abraços quando nos reencontramos.

Tenho orgulho de dizer que sou proactiva e polivalente mas mais que isso tenho orgulho em o dizer que sempre o fui… sempre coloquei o interesse das empresas onde trabalhei e dos seus clientes há frente dos meus e não me arrependo um cú disso!

O resto? O resto são Drs de faz de conta, meninos grandes que ainda jogam playstation quando chegam a casa, enquanto reclamam ás mãezinhas o quanto são injustamente ignorados sobre as suas qualidades profissionais!

Namasté _()_

Dádiva

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Este texto foi difícil de escrever, para quem não sabe quando escrevo um conto baseado, como neste caso numa música eu ouço-a repetidamente até não estar mais nada na minha mente a não ser ela… cada riff, cada acorde, cada palavra… é a minha forma de sair de mim e entrar na personagem que vou criando para a encaixar naquilo que me diz a música. Esta talvez porque quem a sugeriu me conhece bem demais acabou por se entranhar e não me deixar ir para uma sala onde me recolho e deixo “a outra sair” e se juntarem a isso o pedido que me fez que foi “nada de nomes” mais difícil se tornou o separar de mentes. Eu sabia que quando propusesse o desafio ele não seria fácil, mas não sou de me negar as coisas… eventualmente deixei que o sentimento me esvaziasse a alma até ficar só eu… o que saiu é o que transcrevo abaixo… considerem um monólogo… uma carta… uma passagem num diário… sem descrições do ambiente envolvente…imaginem-se numa sala, na obscuridade escrevendo ou lendo… e desculpem se defraudar algumas expectativas…

“O som da porta a bater quando entrava na sala demonstrou ao ambiente crepuscular que invadia a sala que a noite não tinha sido fácil, doía-lhe a cabeça das horas que conduziu à chuva no meio da serra, a leste de onde estava, quase entre dois mundo quando tentava não cair nas valetas de ambos os lados da estrada, tão denso era o nevoeiro. Sentia-se perdida…não mentira… sentia-se despedida de todo e qualquer sentimento que conseguisse suportar.
Esfregou os olhos, secos e doridos de tanto fixar…não chorou nas quase 4h de caminho, essas viriam depois quando caísse em si, quando se apercebesse que o orgulho idiota que sempre a cegou a tinha feito perder a oportunidade de ser feliz… mas seriam silenciosas no escuro do quarto. Não ela não demonstrava sentimentos, mesmo que eles a rasgassem de dentro para fora tamanha era a dor que se fazia sentir no seu peito… olhou para baixo quase como se esperasse que o sangue escorresse por entre as chagas abertas que sentia pulsar por debaixo da camisa de seda. Deitou as mãos a camisa e rasgou o fino tecido…sentiu que pelo menos assim poderia despir-se da sua própria pele…que inocente pensamento…como se alguém que apenas têm aquilo que lhe bate no peito, pudesse alguma vez despir-se do que era.
Deixou o olhar perdido vaguear pela sala, tinha mesmo deixado escapar não tinha? Na sua estúpida mania de ser superior a tudo… de ser “ilha ausente” do mundo, tinha deixado ir o único ser que poderia alguma vez cruzar os arames do muro que construiu a sua volta… quase que conseguia sentir a tristeza na voz… quase que sentia as lágrimas a aflorar os olhos vermelhos… não! Ainda era cedo para as deixar vir… levantou-se do sofá directa a casa de banho…entrou na banheira completamente vestida…camisa desventrada entre os ombros doridos da tensão da condução… abriu a torneira e deixou que a água quente caísse… a água do chuveiro… a chuva lá fora que finalmente caia, mas dos olhos nem uma gota… gritou… gritou em plenos pulmões estando literalmente a cagar-se se a velha custa do 2º andar iria chamar a policia ou bater-lhe a porta…deitou a cabeça para trás e gritou…gritou até sentir que a garganta rasgava e as cordas vocais partiam… e deixou a água limpar os últimos vestígios da suprema dádiva… a que lhe tinha dado quando viu que finalmente ele poderia ser feliz com outra pessoa… Tinha tido a sua oportunidade e não a tinha feito sua… não tinha “agarrado o dia”
Foi retirando as peças molhadas do corpo, na sua forma metódica de organizar tudo, terminou o banho e enrolou-se no único “trapo” que não correspondia a sua certa organização…o velho roupão do seu avô sempre a deixou mais composta…mais humana! Deixou os pés arrasta-la até a cozinha onde se despediu dos restos da seda num simbólico “funeral” quando a depositava no caixote do lixo… abriu a máquina e colocou as restantes peças de roupa molhada. “Preciso mesmo de comer alguma coisa… de beber um café pelo menos”, pensou mas deu por si passados cinco minutos apática a olhar para a máquina de café…
Quando finalmente se decidiu deitar, ouviu o bip (tão suave como uma bomba atómica na quietude assustadora da sua mente) e dirigiu-se lentamente, quase como se tivesse envelhecido anos em minutos até a mesinha onde o tinha deixado:
“Não te afastes…não sumas… não te feches em ti”…leu…suspirou clicando na tecla responder deixou os dedos seguirem o seu caminho enquanto escrevia:
“Still here… i will always be here my love… kiss”

Suspirou ciente do que iria sofrer nos dias que viriam e arrastou-se até a cama… e quando finalmente repousava a cabeça no travesseiro sentiu-as chegar, como se fossem uma tempestade arrebatadora que tudo leva e tudo limpa… deixou-as sair!”

Aqui esta a música que o originou. Obrigada a ti Simão pelo desafio

Uma noite de instinto

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Chega! Por mim chega, pensou Ariana quando batia com a porta de casa e atirava com os sapatos para a sala… sou mulher caramba não sou o robô do escritório…

“Ariana trata dos papeis da reunião”, “Ariana desbloqueia a situação pendente com o fornecedor”, “Ariana podes ficar mais tarde já que não tens vida privada”….

Aiiiiiiiiiiiiiiiiiiii – gritou desesperada… eu tenho vida não tenho Jonas? Questiona o gato que entretanto ofendido com o rebuliço se tinha refugiado na última prateleira que vergava com o peso dos livros…

Vá desculpa, não te quis ofender com os meus dramas – suspira – vá, desce lá que te dou uma lata de atum como tu gostas….

Sabes o que vou fazer Jonas? Vou vestir aquele vestido branco que comprei de impulso… vou jantar fora e vou dançar… vou! Não olhes para mim com esses olhos cheios de dúvidas, que eu vou!

Tudo isto pensava Ariana enquanto rodava a palhinha no cocktail que tinha pedido enquanto observava os casais a dançar na pista…

“Fodasse estou mesmo velha para esta merda!” – pensou com um suspiro… no meu tempo era mais agarra e roça agora os putos parece que sofrem choques eléctricos…

Não posso deixar de estar de acordo – responde um homem do lado dela – o problema é que as discotecas de roça hoje em dia estão mais indicadas para a profissão de engate.

Ai a merda pensei alto – Ariana olhou com aqueles olhos para o homem que não pode deixar de replicar com um sorriso – pensou alto sim mas deixe de me olhar com esses olhos de corça assustada… na minha idade já ouvi uns quantos pensamentos bem piores que o seu.

Rafael Machado prazer em conhecer – diz esticando a mão

Ariana… profissional em não saber manter a boca fechada e péssima em seguir instintos – responde a sorrir

Será que és? Fazemos assim, sai comigo daqui e eu prometo te uma noite diferente… dançamos, falamos, vimos o nascer-do-sol e não precisas de me tornar a ver… que me dizes? Estas com um ar que precisa mesmo de algo assim diferente!

Ariana olhou para o estranho e ponderou, na sua vida sempre tinha ponderado…ponderou na faculdade que iria concorrer, na casa que iria comprar, no carro que deveria ter… na empresa onde estava… tudo ponderado milimetricamente…não a seu gosto mas no que estava certo… a única coisa que tinha agido por instinto tinha sido com o Jonas… o gato não enquadrava no que estava “certo” segundo os pais… preto…orelha esfarrapada… metade do rabo cortado… o melhor e mais precioso que tinha…

Então? Prometo que não te mato – sorriu Rafael – Vens com outro cota como tu?

Que se lixe – pensou Ariana e com um sorriso respondeu – Vou! Olha que se lixe… vou!

Saíram para a noite e pela primeira vez, em sabe-se lá quanto tempo Ariana não pensou no que estava certo… comeu o que quis, riu à gargalhada, dançou descalça na fonte da praça principal da cidade… falaram da infância, dos sonhos não vividos, dos desastres amorosos, da vida que gostariam de ter tido… e no fim assistiram já com Rafael a colocar o casaco nos ombros de Ariana ao nascer do sol no miradouro. Só eles e as aves madrugadoras com o seu piar que despertava a cidade para um novo dia.

Gostaria de te ver de novo menina dos olhos de corça – diz Rafael com um sorriso – mas o prometido é prometido e só te pedi esta noite. Quem sabe não nos encontramos por ai?

É quem sabe – responde Ariana – Mas agora tenho mesmo de ir, regressar ao mundo real e ir trabalhar.

Despediram-se com um sorriso e um até breve!

Vai ser lindo disfarçar esta máscara de Panda com um cobre-olheiras, pensou, isto não vai lá nem com tinta plástica nº 2.

 Depois de um duche rápido e de ter optado por deixar o cabelo solto lá se meteu a caminho do trabalho!

“Estava a ver que não vinhas hoje, olha temos aqui uma data de coisas para fazer… blábláblá… entretanto como não vais almoçar a ver se despachas isto o mais rápido possível!”

Certo! Respondeu com um sorriso… a manhã passou, igual a tantas outras, telefonemas, risadas no corredor… a porta abriu sem bater… o costume pensou Ariana.

“Vamos almoçar voltamos daqui a nada, sê uma boa menina e trata disso… “

“Vai almoçar vaca gorda, galinha desmiolada”…

Vejo que continuas a pensar alto menina dos olhos de corça…

O susto foi tão grande que metade dos papeis voaram secretária fora…

Rafael? Gaguejou Ariana… que raio estas aqui a fazer?

Eu trabalho aqui Ariana, há mais de 1 mês… tu é que nunca reparaste em mim com essa tua mania de olhares para o chão! E então almoçamos?

Ariana olhou para os papeis no chão respondendo: almoçamos sim… as boas meninas que arrumem quando chegarem…

E com isto saiu, fechando suavemente a porta nas suas costas!

Nota:
Aqui esta a música que me foi enviada para o desafio… desta vez escolhi um conto mais instintivo, lembrem-se que a vida nem sempre é só rotina nem o que está “certo”. Vivam… sempre!
Obrigada Catarina por aceitares o desafio e pela música escolhida, espero que gostes!

A despedida (1º conto do desafio)

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“Gosto tanto de te ver dormir… acho que nunca te disse isso, mas é da maneira que mais gosto de te observar. Suave…desfazes a ruga que tens na testa… o sorriso trocista que te levanta o lábio e te dá esse perpetuo ar duro… eternamente zangado…uma luta constante de ti contra o mundo. Quando dormes, rejuvenesces… voltas a menino… regressa a paz que deverias ter em cada segundo que tens!”

Aproximo-me lentamente da cama, onde repousas e sento-me devagar…não me apetece despertar-te do teu sonho, fazer-te regressar a dura realidade…

“O meu cavalheiro da armadura luzente… do primeiro ao último momento…Recordas quando me tentaste ajudar a mudar o pneu? A resposta que te dei?

Eu já sou grandinha sabias? E ainda sei mexer no telemóvel, se precisasse de ajuda chamava o reboque…

A tua cara… devia ter tirado uma fotografia…o ar atónito de quem perdeu o ar, teria sido perfeito para um anuncio qualquer de televisão!

Dasse a sério? Um gajo para na chuva para ajudar e é tratado assim… cabra!

Não sei bem quais dos dois é que se começou a rir primeiro…mas sei que fui eu que te convidei para um café a seguir… foram quantas semanas para morarmos juntos? 2? 3?… desculpa a minha memória já não é o que era antes”

Debruço-me e afago-te o cabelo… os caracóis rebeldes que nunca tiveste paciência para domar…

“Acho que a notícia nos abalou aos dois mas mais a ti não foi? Uma coisa que não podias lutar contra…que não dependia só de ti…tenho cancro meu amor, disse-te com os olhos rasos de lágrimas… lutamos! Respondeste tu… lutamos e vencemos… quantos meses de luta… de idas para o hospital e horas seguidas fechados naquela saia enquanto os químicos me corriam e me destruíam a alma? Horas de brincadeiras e música e leituras… horas de sussurros apaixonados… nós vamos ganhar isto… e eu concordava contigo…nunca fui capaz de te ver sofrer…”

Desculpa amor, mas não consegui lutar mais… desculpa se não consegui manter a promessa que me pediste quando estava naquela maldita cama de hospital…

Esperas por mim? Eu volto já….
Espero… vai… eu estarei aqui quando regressares…

Não ia conseguir ir, não contigo do meu lado… mas voltei… estou aqui de volta meu amor… nem que seja para te dizer que estarei a tua espera do lado de lá…. Sê feliz meu amor… tenta pelo menos prometes?”

Levanto-me suavemente e deslizo até a janela do quarto… olho para trás para um último olhar e vejo o que agarras com tanta vontade… a fita que trazia ao pescoço quando heroicamente me mudaste o pneu…

Amo-te… sussurras no teu sonho…
Isso passa… respondo eu em surdina…

 

Nota:
Aqui esta a música que me foi enviada para o desafio… nem sempre o amor vence mas muda sempre a alma de quem o sente e de quem o dá… lembrem-se disso!
Obrigada Domingos por aceitares o desafio e pela música escolhida, espero que gostes!
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